Sábado, 14 de Novembro de 2009
SER POLÍCIA

     Apesar de ameaçados pela "fadiga dos metais", ainda há muitos que se orgulham de ser polícias.

     Transcrito com a devida vénia do Forum Brasileiro de Segurança Pública, não resisto a ampliar a circulação deste "mimo":

 

     O autor, Archimedes Jose Melo Marques é delegado de polícia - Pós-Graduado em Gestão Estratégia de Segurança Publica.

 

 

Não há missão tão árdua...
Não há atividade tão desprezada...
Não há função tão incompreendida...
Não há trajetória tão ilógica...
Não há encargo tão injusto...
Não há caminho tão tortuoso...
Não há comportamento tão cobrado...
Não há labute tão controverso...
Não há classe tão dispersa...
Não há luta tão difícil...
Não há sonho tão perdido...
Não há vida tão atropelada...
Não há situação tão vulnerável...
Não há objetivo tão complexo...
Não há prática tão combatida...
Não há glória tão esquecida...
Não há rumo tão vigiado...
Não há avaliação tão espinhosa...
Não há habilidade tão castigada...
Não há profissão tão discutida...
...Quanto SER POLÍCIA!

...Ser Polícia é manter a Ordem Pública e garantir a Segurança da Sociedade em detrimento da sua própria segurança.
...Ser Polícia é proteger o povo analisando e vigiando todos os lados, sabendo que também está sendo vigiado.
...Ser Polícia é estar em constante perigo e mesmo assim evitar ou solucionar crimes.
...Ser Polícia é sentir que a Sociedade o tem como ignorante e arbitrário e mesmo assim garantir o seu bem estar.
...Ser Polícia é entender que Polícia e bandido são opostos que não podem ser atraídos para o mesmo objetivo.
...Ser Polícia no combate a falsa polícia é lutar contra um inimigo que lhe observa todos os seus passos.
...Ser Polícia é saber manter a veneração pela investigação, pois se assim perder essa motivação, vai com ela a flexibilidade que faz aparecer o resultado positivo.
...Ser Polícia é também ter paciência, pois em cada nova descoberta numa investigação complicada, significa um elemento novo de conhecimento, e, constitui uma etapa obrigatória de novas interrogações.
...Ser Polícia é trabalhar reconhecendo que não é reconhecido, mas mesmo assim seguir na sua trajetória inglória.
...Ser Polícia é superar o desprestígio de todos com a arte de mostrar a alegria pelo seu trabalho.
...Ser Polícia é saber dar a devida dimensão de tudo em vez de ser dimensionado pelo que pensam a seu respeito.
...Ser Polícia é saber que a verdade pode estar além de qualquer realismo para não confundir a aparência das coisas e praticar o injusto.
...Ser Polícia é ser taxado de culpado até mesmo pelo bem que não pôde fazer.
...Ser Polícia é entender que o povo pode ser ilógico e insensato até mesmo com os seus atos positivos em prol da própria Sociedade.
...Ser Polícia é dar ao mundo o que de melhor tiver, mas mesmo assim observar que não acharam bastante.
...Ser Polícia é estar no nascedouro de um futuro Processo Criminal contra a impunidade, e por vezes sentir o desgosto de ver o seu trabalho ser desconsiderado.
...Ser Polícia é estar atento a tudo, porque todos estão preparados para lhe atirar pedras até mesmo no seu primeiro deslize.
...Ser Polícia é constatar que os Direitos Humanos não lhe percebem nem mesmo quando um bandido lhe ceifa a vida.
...Ser Polícia é lutar sempre pelos seus ideais e objetivos, acreditando que um dia será reconhecido, recompensado e adorado por todos, pois sem ele, não haveria a Justiça e a paz social.
...Ser Polícia é vivenciar tudo isso e ainda possuir a sensatez de sentir o imenso orgulho de SER POLÍCIA!

 

 


sinto-me: empolgado

publicado por Zé Guita às 09:34
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
OS METAIS TAMBÉM SE CANSAM

Numa conjuntura de mudança acelerada a caminho de uma revolução civilizacional, a instabilidade e a incerteza tornam-se avassaladoras. E as revoluções destroem quase tudo, inclusive as organizações, sobretudo as mais distraídas e que se mantenham passivas face ao processo.

Neste quadro, também a Guarda está ameaçada: ideologia e práticas negacionistas, civilismo, militarismo, competição corporativista, falhas no recrutamento e na selecção, insuficiências na socialização e no controlo social, sobrecarga de trabalho, pessimismo, desmotivação, quebra de coesão interna... Tudo gerando factores de vulnerabilidade que podem talhar brechas no espírito de corpo, abrindo caminhos para um processo de desagregação institucional.

As crises são recorrentes e – melhor ou pior - sempre se resolvem, mas desta vez a tensão é grande e desenvolve-se numa conjuntura de grave crise geral. Há que entendê-la e desenvolver esforços equilibrados para uma boa resolução no tocante à sobrevivência da Instituição Guarda. E todos são poucos para colaborar.

Reflectindo sobre tudo isto, ocorre ser oportuno elaborar um estudo relativo ao que se esteja a passar relacionado com stresse organizacional e pessoal e seus reflexos, procurando identificar e sistematizar ideias, sugestões, factos, pistas, trabalhos/bibliografia sobre o tema, de modo a estimular investigação mais sólida para suporte de políticas e estratégias de enquadramento e de gestão, incluindo o diagnóstico de situações e a tomada medidas em tempo oportuno. O presente esboço não pretende mais do que tentar uma síntese estimulante e orientadora para empreendimentos de carácter científico que largamente se justificam.

            De um modo geral na função polícia e em particular na GNR, a prolongada insuficiência de pessoal, sobretudo entre os patrulheiros de muitos postos territoriais, bastante provocada pelo empenhamento em novas missões sem o correspondente aumento de efectivo, origina forte sobrecarga de trabalho que reduz drasticamente as folgas para assistência à família e os necessários períodos de descanso para recuperação individual; acresce, em muitos casos, verificar-se em simultâneo que o serviço envolve um agravamento da quantidade e da qualidade da criminalidade que se conjuga com sentimentos de falta de apoio legislativo e judicial, implicando prolongado desgaste físico e psicológico; acontece ainda haver influência de vários factores de instabilidade, ligados à chamada reestruturação em curso, como grandes alterações no dispositivo a extinguir e criar unidades, transferências de local de trabalho, colocações inconvenientes para a família, atrasos em promoções, desequilíbrios remuneratórios, tudo ocasionando um clima de incerteza.

            A Guarda enquanto instituição desde há muito tem revelado capacidade para superar sucessivas situações de sobrecarga, sacrifício, incerteza e instabilidade. As instituições não existem sem pessoas e a Guarda é uma instituição que tem vindo a evoluir há mais de duzentos anos, acompanhando a sociedade de que é parte. Formada por pessoas organizadas numa profissão, encontra-se condicionada pelos quadros legais que a enformam, pela legitimação social e pela capacidade de empenhamento dos seus recursos humanos. Nestes últimos tempos tem vindo a tornar-se preocupante, porventura sinal de alerta, o número inusitado de suicídios entre militares da Organização. Questiona-se: quais as causas? Num imediatismo interessado, superficial na argumentação, associações profissionais passam para a comunicação social, que amplia, a ideia de que “não têm dúvidas que a «pressão» que se vive na instituição e a «desumanização» com que os militares são tratados pelas hierarquias estão a contribuir para o problema”. (Gina Pereira, JN de 10OUT09)

            Entre as hipóteses de explicação mais urgentes a investigar coloca-se a da prolongada sobrecarga de trabalho, possível causadora de fadiga, entendida esta como resultante de trabalho excessivo e penoso. Para avaliar o que se passa com os recursos humanos, podemos, forçando um pouco a nota, recorrer ao modo como a Física encara a mecânica dos materiais, estudando aspectos relacionados com os fenómenos de instabilidade, fadiga e fluência de materiais. A analogia permite admitir que também às organizações e aos seus recursos humanos – metal precioso - é aplicável a lei da fadiga dos metais, tornando evidente que os poderes de enquadramento têm que encarar a cedência à tensão que ultrapassa as suas capacidades. Ao atingir os poderes de enquadramento, as organizações e os profissionais, esta tensão que provoca o cansaço das estruturas metálicas deve, portanto, ser tida em conta também em relação aos agentes de autoridade que exercem a função polícia, por maioria de razão àqueles que têm o estatuto de dupla servidão, militar e policial, como é o caso dos profissionais da Guarda.

 


sinto-me: inquieto

publicado por Zé Guita às 12:02
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
PROJECTAR O QUINTO IMPÉRIO

            Colhendo no recente livro de Adriano Moreira “A Circunstância do Estado Exíguo”, “Uma pequena potência … tem interesse em consolidar o património cultural que tem espalhado pelo mundo e que é a forma visível do Quinto Império.”

O Professor lembra o exemplo da Restauração de 1640, em que o padre António Vieira se empenhou decisivamente, não hesitando em invocar o sebastianismo, nem em proclamar a confiança num futuro Quinto Império, procurando realizar “a mobilização interna e o reconhecimento externo da independência recuperada.”

Entre os muitos pensadores e políticos lusófonos, incluindo os utópicos do Quinto Império, de Vieira a Agostinho, estas perspectivas tiveram apoio, acabando por dar corpo à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Esta terá sido uma meta conseguida em favor da espiritualidade, evidenciando capacidade para construir “um projecto assente na lúcida compreensão de que princípios e valores culturais asseguram as solidariedades de longo prazo, para além das diferenciações…”

Actualmente instituída, a CPLP corresponde à ideia proposta por Agostinho. Porém, projectando o Quinto Império, “é ainda uma luz que os ventos agitam, e que exige adesão, vontade e persistência em adiantar o caminho escolhido entre todos os possíveis”. Acontece que a incerteza está globalizada e muito condiciona o projecto, envolvendo o Brasil, esperança maior de Agostinho, sendo que o valor espiritualidade não é um requisito da política mundial. Permanece a afirmação de Agostinho da Silva: “o único defeito do Quinto Império para mim é chamar-se império”.

            Muito em linha com o projecto do Quinto Império podemos considerar realizações lapidares da iniciativa de Adriano Moreira, como os “Congressos das Comunidades da Cultura Portuguesa”, em 1964 e 1966, e a “Academia Internacional de Cultura Portuguesa”; e, profundamente actual e urgente, o projecto do “Oceano Moreno”.

 

            Os sonhos dão corpo à utopia e desenham o futuro.

 


sinto-me: inspirado

publicado por Zé Guita às 07:35
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
VIVER O QUINTO IMPÉRIO

“É claro que acredito no Quinto Império”

Agostinho da Silva

 

            Dando continuidade ao mito do Quinto Império, destaca-se, mais próximo, Agostinho da Silva, filósofo, poeta, ensaísta e pensador, empenhado na prática para a mudança da sociedade.

            Assumiu peremptoriamente acreditar no Quinto Império, “porque senão o acto de viver era inútil.” A utopia consiste em conceber um império sem os clássicos imperadores, que leve às nações do mundo uma filosofia capaz de abranger a espiritualidade, envolvendo toda a Humanidade. Agostinho intitulava-se cavaleiro do Espírito Santo e defendia que tal império viria pelo poder da oração.

            Colhendo na seara de Adriano Moreira, “O sebastianismo não parece ser apenas a carência e esperança de uma liderança redentora … Do padre António Vieira a Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, a saudade do futuro, com expressão no Quinto Império, traduz assim a teimosa esperança de retomar o fio da história quebrado em Alcácer Quibir…”.

Perante as contingências impostas pelo mundialismo a Portugal, Agostinho da Silva questionava: “O Império acabou. E agora?” Constatando-se que a revolução de Abril de 1974 não foi propícia a seguir a visão orientadora chamada Quinto Império, de Vieira e Pessoa, colhe a conclusão: “Pode ser que o Rei não tenha morrido em Alcácer Quibir… mas definitivamente o Rei morreu nos treze anos da Campanha de África a que o 25 de Abril colocou um ponto final.” E, na senda do Quinto Império, inquietava-se com a falta de projecto, à semelhança do realizado por Viera ao advogar que a dinastia de Bragança abandonasse o território europeu para se instalar no Brasil.

A ideia central do Brasil como esteio também foi projectada por Agostinho, que mantendo a invocação da confiança em Deus, advogou no plano político a criação de uma Comunidade Luso Brasileira, muito orientada por valores religiosos e culturais.

Embora mantendo-se alheio a qualquer ortodoxia, parece evidente que a cultura cristã tem a ver com clara aproximação à igreja portuguesa, designadamente quando afirma que “Deus é sempre duplo, aquele que é, e aquele que eu entendo; a este chamo Cristo”. Assim, interessando-se pelo lado humano, o seu ideal de santidade e um comportamento despojado empurravam-no para a utopia.

Tendo mergulhado profundamente na sociedade brasileira, procurou integrar os contrários seguindo a ideia de Fernando Pessoa de que a comunidade seria sobretudo um estado de espírito, sem raiz étnica, sem limites ao acolhimento, uma visão do que é ser português. Vagabundeando largamente, Agostinho multiplicou as amarras do espírito que havia de sobreviver à derrocada política da sociedade, explicitando assim a sua sentença: “só então Portugal, por já não ser, será.” É uma visão do Quinto Império, em que os homens de referência, em vez de guerreiros e conquistadores, são “mensageiros que profetizam para além dos tempos; ou dito de outro modo, fazendo valer o tempo longo dos princípios sobre o tempo breve das conjunturas”.

 


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publicado por Zé Guita às 18:08
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Domingo, 11 de Outubro de 2009
LEVANTAR O QUINTO IMPÉRIO

Triste de quem vive em casa, ...

Sem ... um sonho, no erguer de asa...

Triste de quem é feliz!

Vive porque uma vida dura.

Nada na alma lhe diz ...

Ser descontente é ser homem.

Que as Forças cegas se domem

Pela visão que tem uma alma! ...

E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será theatro

Do dia claro, ...

Quem vem viver a verdade?

 

Fernando Pessoa - MENSAGEM

 

 

A utopia do destino universalista de Portugal foi assumida durante séculos pela maioría dos pregadores da Igreja ncional portuguesa, como forma de congregar a nação no esforço para resolver crises graves.

É relevante o padre António Vieira que, no século XVII, pregou sobre o Quinto Império, inspirado por profecias bíblicas e integrando as do Bandarra, com uma finalidade evidente de restabelecer o velho sonho da grandeza de Portugal. Destacando-se como paladino do sonho milenarista do Quinto Império, para ele realidade futura de cujo advento se não podia duvidar, pois tinha por alicerce uma promessa divina, evocou, à maneira de exemplo a seguir pelos Reis, os sonhos do Faraó e de Nabucodonosor como prenunciadores do Futuro.

A alusão ao Quinto Império fá-la inequivocamente, inscrevendo-a como um feito português na sequência dos quatro anteriores impérios universais: os dos assírios, dos persas, dos gregos e dos romanos.

Fundamentando-se nas Escrituras sagradas e nas falas sobre o imperador que Jesus prometera à Igreja, Vieira afirma-se convencido de que o Quinto Império só pode ser português.

Invocando a fala então incontestada de Jesus ao rei Afonso Henriques em Ourique - "Quero em ti e na tua geração criar para mim um Império" - Vieira elabora na linguagem vaga e esotérica das profecias no sentido de que o Quinto Império seria de ordem temporal e espiritual, guiado por Portugal.

 

            Ao respigar o "livro-Maior" de Fernando Pessoa ganha vulto uma utopia do Quinto Império - agora reformulada face a Grécia, Roma, Cristandade e Europa colonial que viveram no auge, envelheceram e tiveram morte pelo desaparecimento.

            O Quinto Império sonhado pelo poeta é uma abstracção, traduzida na expressão "Quem Vem viver a Verdade?", na acepção de Luz, Cultura e sendo entendida como "Quem vem viver o Quinto Império?".

 


sinto-me: inspirado

publicado por Zé Guita às 23:18
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
SONHAR A GUARDA

           Pola Lei e Pola Grey foi a divisa de D.João II ao tomar o poder, apoiado nas ruas pelo povo que sofria os abusos dos nobres. Esse grande vulto que a rainha de Espanha designou como O Homem e que, conforme Veríssimo Serrão refere ao prefaciar a Crónica de Garcia de Resende, desde muito novo sentira a res publica como ideal que transcende o detentor do poder e o irmana com a grei. Para a posteridade fica a imagem do Príncipe Perfeito: do legalista que impôs com dureza os direitos da Coroa, mesmo com sacrifício dos familiares e cortesãos; do rei que foi certo e constante na justiça para impedir atropelos à Coroa e protector dos povos; do sonhador governante que, para além de outros projectos, ordenou o descobrimento da Índia.

            A divisa do Príncipe Perfeito, num sonhador golpe de asa, foi assumida pela Guarda. “Pela Lei e Pela Grei” é o farol orientador nos caminhos em busca da utopia: o esforço legalista para impedir atropelos à soberania do Estado; o trabalho de protecção ao serviço das populações. Conforme a tradição, “Hora a Hora a Guarda Melhora”, mas em época de crise torna-se indispensável “adivinhar perigos” e sonhar mais longe.

            Enquanto colectividade humana organizada, com uma vivência peculiar, a Guarda deve ter uma individualidade duradoira e permanente muito baseada na utopia de realizar o modelo institucional perfeito e perdurar no meio social. Para prosseguir voluntariosamente os caminhos que levem a alcançar tal meta, convém à Guarda – ao serviço do Estado ainda soberano e do Povo que continua vivo como nação - centrada em desígnios próprios e despojada de interesses alheios, seleccionar de entre os seus alguns loucos e mantê-los a sonhar, incentivando objectivamente os esforços para alcançar a utopia.

            Apesar das cedências dos cansados Velhos do Restelo e dos temporais dos ameaçadores Mostrengos, há muita vida na Instituição, a Guarda pode ser e singrar como Portugal no descobrimento de um Oceano Moreno. Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce.

 


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publicado por Zé Guita às 07:59
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
A IMPORTÂNCIA DE SER LOUCO E SONHAR

No tempo em curso, de imparável progresso tecnológico, em que a Humanidade vive a reconversão comunicacional de “aldeia global” para “cidade global”; prossegue avassaladora globalização económica; e enfrenta gravíssima crise financeira e social; tudo aponta para um processo de mudança cultural acelerada. Tal estado das coisas implica e requer a influência de loucos que imaginem a utopia e sejam capazes de desenhar e desbravar os caminhos da revolução civilizacional.

            Historicamente feito pelo mar, o pequeno estado-nação Portugal, que vem abdicando de alguma soberania por que envolvido na criação de um grande espaço europeu, precisa de loucos timoneiros que descubram e naveguem os caminhos sonhados no “oceano moreno” para atingir as distantes praias lusófonas, de modo a conseguir escapar à perigosa condição de estado-exíguo e a dar corpo ao sonho de um império lusófono de solidariedade fraternal.

            A secular instituição Guarda, neste clima de grande instabilidade, em que ninguém está satisfeito com o que tem, não pode limitar-se a ser passiva, descurando cuidados proactivos com a sua sobrevivência. Uma revolução civilizacional desagrega e dissolve culturas e organizações. Enquanto organização, a Guarda tem que usar de loucura guiada pela utopia para reflectir os sonhos que lhe permitam navegar em águas revoltas e atingir a salvo a praia para além do mar, prevalecendo enquanto instituição.

            Face aos tempestuosos perigos que se adivinham na agitação mutante da revolução civilizacional, a Humanidade, o estado-nação Portugal, a instituição Guarda e tantas outras necessitam sobre nadar para alem do normal e, para isso, de encontrar a mais-valia almejada e tirar proveito da loucura visionária de uns quantos sonhos navegados em nome da utopia como farol do futuro.

 


sinto-me: inspirado

publicado por Zé Guita às 03:38
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
A UTOPIA E O SONHO

           

      Fernando Pessoa legou-nos a “Mensagem”, esse pequeno livro portador de formidável conteúdo que, de forma profundamente empolgante, por um lado, celebra a história e as características do cavaleiro andante Portugal, paladino de um utópico Império envolto na bruma do sonho; por outro lado, questiona e invectiva o longo impasse que ensombra os caminhos do seu futuro.

            O Cavaleiro tem a capacidade de sacrifício do Infante Santo: “Cheio de Deus, não temo o que virá, pois, venha o que vier, nunca será maior do que a minha alma.” Aspira a grandeza sonhada por D. Sebastião: “Louco, sim louco, porque quis grandeza… Sem a loucura que é o homem mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria?” Ostenta o brilho puro da espada de Nun’ Álvares : “Que auréola te cerca?... Ergue a luz da tua espada para a estrada se ver!” Manifesta sofregamente a ânsia pela descoberta do Infante D. Henrique: “Com seu manto de noite e solidão, tem aos pés o mar novo e as mortas eras”. É capaz de recorrer à vontade férrea de alcançar a meta do Príncipe Perfeito D. João o Segundo: Seu formidável vulto solitário… que fita além do mar.

Os caminhos apontados pela utopia, percorridos por alguns caminheiros loucos, permitem concretizar a oração de Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. “O sonho é ver as formas invisíveis da distância imprecisa e, com sensíveis movimentos da esperança e da vontade, buscar na linha fria do horizonte… os beijos merecidos da Verdade”.

Na busca do mítico Império, o Cavaleiro assume que “da obra ousada é minha a parte feita … a febre em mim de navegar só encontrará de Deus na eterna calma o porto sempre por achar. Às grandes dificuldades e temores que tal ousadia enfrenta contrapõe-se a determinação necessária: “mais que o mostrengo, que me a alma teme e roda nas trevas do fim do mundo, manda a vontade, que me ata ao leme, de El-Rei D. João Segundo”.

A ousadia nos caminhos do mar acaba por levar a praia aberta, novo ponto de partida e não o fim da viagem: “Dobrado o assombro, o mar é o mesmo: já ninguém o tema!

Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quiser passar além do Bojador tem que passar além da dor. … a chama que a vida em nós criou, se ainda há vida ainda não é finda. … A mão do vento pode erguê-la ainda.

“Ser descontente é ser homem. … António Vieira, no imenso espaço seu de meditar, constelado de forma e de visão… é luz do etéreo. … Que jaz no abismo sob o mar que se ergue? Nós, Portugal, o poder ser. … É a hora!”

Para ir além do mar, o mar é o caminho: Navegar é preciso e pelo sonho é que se vai.

 


sinto-me: inspirado

publicado por Zé Guita às 03:42
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
UTOPIA E LOUCURA

Na vida do dia-a-dia são prioritárias as preocupações imediatas e dá-se pouco valor aos problemas menos prementes de carácter utópico. Uma vez que não se apresentam como imediatamente úteis, não são claramente assumidos e a utopia é vulgarmente entendida como sonho, algo de natureza quimérica e praticamente irrealizável.

Isto é compreensível no homem comum, mas quando se trata da busca e da produção do conhecimento já é outro o sentido da utopia.

A República, de Platão, a Cidade do Sol, de Campanella, a Nova Atlântida, de Bacon, o pensamento de Rousseau, as ideias iluministas e as teses dos socialistas utópicos são trabalhos respeitáveis do espírito humano. Neste mesmo sentido pode ser incluída A Utopia, de Tomás Morus, que pode ser vista como o sonho de um mundo ideal mas contém larga crítica social.

            Erasmo de Roterdão, em 1509, discursou sobre “O Elogio da Loucura”, que há quem considere obra essencial e um dos mais influentes livros da civilização ocidental. Fica claro que não deve confundir-se insanidade com utopia, uma vez que esta pode ser saudável na sua deriva sonhadora.

Erasmo, admirador de Santo Agostinho, foi um crítico irreverente e sarcástico, tendo-se relacionado com Tomás Morus, o autor de "A Utopia", obra próxima do "Elogio Da Loucura”, e afirmou-se como um dos grandes humanistas do Renascimento.

Apoiado numa sólida visão filosófica, Erasmo denuncia as falsidades, as injustiças, a hipocrisia que vigora entre os humanos. Fazendo de o Elogio da Loucura uma crítica inteligente dirigida ao clero, aos nobres e aos sábios. A loucura de que trata é a da simplicidade, da pureza, da depuração, da pura religiosidade, da honestidade, configurando uma utopia que perdura até hoje. E que apontou como sendo o melhor presente dos deuses aos humanos, pois um louco fala a verdade inconveniente mas é tolerado. Erasmo tem a arte de incomodar ao defender a loucura, afirmando que todos os homens de algum modo são loucos. Induz uma reflexão sobre o real sentido da loucura na sociedade actual, lembrando que Foucault distingue os Loucos "de facto" dos loucos "controlados" ou "socializados", considerando abrangente esta última categoria.

            Mal acabado de sair da adolescência, nos últimos anos da década de cinquenta, caiu-me nas mãos a edição Cosmos de “O Elogio da Loucura”, ilustrada com as gravuras da época impressas a madeira. Foi um deslumbramento, que deixou marcas que perduram até hoje. Tenho impressas a fogo na memória algumas ideias-força:

- Os loucos fazem rir as mulheres;

- É dos loucos que as mulheres gostam mais;

- Os loucos descobrem a aventuram-se por caminhos desconhecidos;

- Os loucos é que inventam as novidades;

- O mundo avança por iniciativa dos loucos!...

            Tudo indica que a humanidade tem de encontrar caminhos para realizar a mudança de civilização em curso.

A Loucura é o motor da Utopia e esta desenvolve o Sonho!

 


sinto-me: nas nuvens

publicado por Zé Guita às 18:32
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
CORPOS ESPECIAIS, SERVIDÃO E COMPENSAÇÕES

 

          Não estou habilitado para realizar um exercício crítico sobre os subsídios compensatórios ultimamente legislados. Mas lá que me levantam sérias dúvidas é facto indiscutível.

          Na tentativa de compensar alguns mais sacrificados,  consegue-se antes gerar insatisfação alargada, que tem efeito desagregador no efectivo. De resto, a solução encontrada tem aspectos algo "folclóricos", que suscitam reivindicações de azimutes e altitudes  vários no meio militar e comentários jocosos na comunicação social.

          Desde há muito que me interrogo por que razão não se nota  nas discussões prévias nem nas posteriores à  tomada de decisão para atribuir compensações a corpos especiais do Estado a realidade seguinte:

- as FA têm condição/servidão militar;

-  a PSP tem condição/servidão policial;

- a GNR tem dupla condição/servidão, militar mais policial.

          Parece um critério base racional para análise de um possível  impasse em que todos querem fazer valer os seus direitos. É discutível, mas parece ser realidade pouco evidenciada, razão maior para não passar sem discussão de modo a avaliar "pesos relativos" na óptica da servidão.


sinto-me: questionado

publicado por Zé Guita às 06:05
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