Terça-feira, 3 de Abril de 2007

GNR: Força militar porquê? II

II

 

            O senhor general Loureiro dos Santos mostra-se surpreendido com o motivo (quadrícula) avançado para que a GNR continue como força militar, admitindo a necessidade de existência de uma quadrícula policial e excluindo que haja actualmente razões para uma quadrícula militar. Argumenta serem improváveis as ameaças que a justificariam e que em caso de risco considerável a competência, intransferível, para as enfrentar seria das FA.

            Desconheço as efectivas razões em que se fundamenta o poder político para aduzir o argumento “quadrícula militar” e não tenho procuração para tal nem pretendo exercê-la em substituição do Governo. Mas, pese embora a consideração que me merece o senhor General, atrevo-me a avançar alguns dados que podem clarificar o modelo que creio mais defensável para a GNR.

            Em primeiro lugar, aceito como duvidoso o emprego do termo “quadrícula” para aquilo que seria essencialmente uma presença simbólica da soberania do poder central, militarmente organizada, fardada e armada; e que, sem pretender substituir as FA no desempenho da função defesa nacional, com alguma capacidade militar superior à dos corpos civis de polícia, com uma presença diária e efectiva, estaria incumbida de ocupar o vazio deixado no terreno pela concentração do Exército; como é sabido, a natureza tem horror ao vazio, que sempre alguém tende a ocupar.

Em segundo lugar, a probabilidade da ameaça nas suas novas formas pode ser considerada como altamente imprevisível. A presença de uma GNR militar, instalada no terreno, não pretendendo de modo algum substituir as FA, pode constituir uma malha impar assente sobretudo em medidas de carácter preventivo e capaz de complementar a acção das FA, desempenhando entre outras  tarefas na segurança da retaguarda e de pontos sensíveis.

Em terceiro lugar, quanto aos exemplos de outros países europeus, parece que temos muito a aprender com Estados – latinos – como a França, a Itália, a Espanha... Concordo que é indispensável analisar e ter em conta os respectivos racionais nesta matéria.

No que toca a não haver uma separação bem delimitada e brusca entre as ameaças à segurança surgidas no interior do território nacional, com violência de intensidade variável e crescente, requerendo resposta ora policial ora militar, tudo parece somar argumentos para justificar a existência de uma Terceira Força. Esta será capaz de responder como polícia ou como militar, conforme o que esteja mais indicado, e terá condições para fazer uma ligação fluida entre FS e FA.          

            Permito-me, assim, argumentar a favor da minha garrafa, meio cheia ou meio vazia. O modelo baseado na especificidade gendármica é o que convém à GNR e ao País: “o actual contexto de segurança não só mantém a necessidade da existência de uma força policial com capacidade para efectuar algumas operações militares na segurança interna, como a reforça”.

sinto-me: ............convicto.
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publicado por Zé Guita às 11:33
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2 comentários:
De Lima Santos a 4 de Abril de 2007 às 09:24
Desculpem lá, mas quando é que alguém se preocupa com a ladroagem e insegurança que neste momento grassa nas zonas da Beira interior?
Sabem que quando se liga para a GNR pedindo auxílio esta solicita que se ligue aos Bombeiros já que não tem ninguém para acorrer ao pedido?
E andam vocês a discutir quadrícula e coisas similares!
Francamente!


De Zé Guita a 4 de Abril de 2007 às 12:37
Caro Senhor Lima Santos

Tem muita razão: campeia a insegurança e o dispositivo territorial da GNR certamente que tem falta de meios. E perante a tendência para abandonar o interior do País, as perspectivas não podem ser optimistas. A natureza tem horror ao vazio e onde ele aparecer sempre alguém ou alguma coisa o ocupará: neste caso, quanto menos policiamento mais insegurança. Os postos territoriais são a base sólida para a eficácia da GNR, de modo a que esta possa garantir segurança e tranquilidade pública.
Nesta altura, a onda que está no alto é a da reestruturação das Forças de Segurança, que está nas mãos do Governo.
Não está ao alcance deste blog influenciar o que se passa a nível local. A prioridade nesta ocasião é colocada na tentativa de dar visibilidade a algumas ideias e princípios que consideramos fundamentais para o desenvolvimento do sistema. Trata-se de posições individuais, por vezes desencontradas. Claro que somando-se muitas algum eco acabarão por ter.
O seu desencanto é legítimo. Também nós achamos que a "máquina" precisa de afinação.
Cumprimentos e volte sempre, pois a sua voz será
ouvida.


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