Terça-feira, 15 de Maio de 2007

A INSTITUIÇÃO II

 

UMA MATRIZ PARA  A INSTITUIÇÃO 

          O conceito de instituição militar encontra-se estreitamente ligado ao de burocracia, acontecendo que, nas camadas mais altas da organização, a respectiva autoridade estabelece os valores institucionais.

            Qualquer instituição implica um mundo de valores próprios e a rejeição dos profanos; tem coesão interna e capacidade de autonomia; constrói-se em torno de um conjunto de interesses espirituais e materiais. Nela, têm maior peso as relações internas e é forte a ideia de resistência à mudança e às influências do exterior.

            No modelo instituição pesam mais as relações internas do que no modelo ocupação, sendo que neste pesa mais a influência do sistema social geral. As forças militares tendem a reforçar as suas características de proximidade ao modelo instituição.

            A prevalência duma instituição militar – e policial – tem maior probabilidade de continuar se baseada em sistemas permeáveis ao contexto social, com capacidade para se adaptarem ao ambiente dominante; que ao mesmo tempo garantam manutenção de estabilidade em tempo de mudança,

- partindo da afirmação institucional,

- admitindo abertura à sociedade com grande flexibilidade, 

- garantindo acompanhamento das mudanças sem quebra de coesão social.

            Uma pauta matricial aplicável mostra-nos como o predomínio cego da influência dos valores organizativos da instituição pode levar ao militarismo; e como o exagero da representatividade do sistema social conduzirá ao civilismo. No caso de se cair na tentação do militarismo, é de prever a rejeição e o levantamento de movimentos políticos e cívicos, lutando fortemente para extinguir a instituição. No caso de acontecer que predomine o civilismo, é previsível a perda de identidade específica com a consequência fatal de se tornar dispensável e, por aí, ser extinta a instituição.

            Em resumo, uma instituição gendármica, como a GNR, para sobreviver num contexto de dualismo policial, terá de ser autónoma e específica como Terceira Força; gerir com cuidado uma vivência saudável dos seus valores tradicionais e manter relações flexíveis com a envolvente social; ser militar, recusando o militarismo e ser policial, precavendo-se do civilismo.

(extrato do artigo de Armando Carlos Alves  "O Corpo Militar de Polícia como Instituição", publicado na revista da GNR, PELA LEI E PELA GREI, nº 65, 2005. Outros subtítulos no mesmo artigo: Civilinização e Militarização, Instituição Social, Teoria da Instituição, A Instituição Gendármica e A GNR como Instituição)

 

 

 

sinto-me: documentado.
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publicado por Zé Guita às 11:48
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7 comentários:
De A. João Soares a 15 de Maio de 2007 às 18:24
Os extremos raramente são saudáveis, devendo ser encontrado o equilíbrio mais adequado, num compromisso dos factores existentes e condicionantes.
Mas, acima de tudo, é indispensável nunca perder de vista a finalidade, a missão, os objectivos da instituição. Se essa se perde, uma instituição pode ser uma perfeição teórica de organização mas será inútil, apenas um adorno.

Um abraço


De Zé Guita a 25 de Maio de 2007 às 10:09
Os extremismos desestabilizam a organização e desagregam a instituição.
A missão é o "farol"!
Acresce o esforço permanente nas prioridades e pelo equilíbrio, na conduta do dia a dia no terreno.
Saudações.


De El´mano a 17 de Maio de 2007 às 13:54

Informação

Vejam o blog, vertical.blogs.sapo.pt

Talvez tenha interesse.


****



De Zé Guita a 17 de Maio de 2007 às 22:05
Para El mano

Obrigado pela dica e valeu a pena.

Vale a pena também ler "EXCESSOS" nos Aromas de Portugal.

Saudações


De O Pirata das Berlengas a 21 de Maio de 2007 às 01:07
No fundo, as organizações têm muito de "orgânico"- Assim como um corpo não consegue sobreviver se tiver falta de imunidade, nem tão pouco quando se desencadeia uma "batalha" contra tudo quanto vem de fora, assim as instituições têm - para resistir à passagem do tempo - de ter um certo grau de flexibilidade e adaptação. Se tal não acontecer (militarismo) estagnarão ou serão atacadas de fora. Se houver demasiada permeabilidade (civilismo a mais) dissolver-se-ão como alguém sofrendo de sindrome de imunodeficiência.

Mas, do ponto de vista HUMANO, (as células vivas que compõem o organismo) há que ter VALORES partilhados e uma VISÃO.

Deixo aqui um desafio:

Qual a sua VISÃO para a GUARDA?

Embora também já saiba que me vai responder: todo este excelente blogue nos dá dicas sobre a sua VISÃO...
Abraço de Pirata


De Mário Relvas a 22 de Maio de 2007 às 22:43
Caro Zé Guita, " os excessos", sem querer remeti o texto ao corrigir uma letra, para o para o interior e não ficou visível, mas já está de novo.

Estou de acordo com este seu texto, sem qualquer dúvida!

Abraços
MR


De Zé Guita a 25 de Maio de 2007 às 10:37
Para Pirata das Berlengas:
A minha "visão" para a Guarda assenta basicamente nas grandes linhas desenhadas no post "Caracterização da GNR", aqui publicado em 28 de Janeiro último.
O desenvolvimento de tais linhas é vasto e tem vindo a desenrolar ao longo do tempo, procurando a inovação para a modernidade sem perder os valores da tradição.
Saudações


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