Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

OH DA GUARDA!

          O popular grito de socorro, ao longo de tantas gerações tradicional, como pode entender-se?

           Primeiro, houve a Companhia de Guardas; a seguir, existiram a Guarda Real de Polícia, a Guarda Militar da Polícia e também a Guarda Nacional; depois, a Guarda Municipal; mais tarde, a Guarda Republicana; e logo, até hoje, a Guarda Nacional Republicana. O termo e uma certa idéia de "guarda" encontram-se fundamente instalados na ideossincrasia dos portugueses.

           Guarda (segundo o Dicionário Prático Ilustrado, Porto: Lello e Irmão, 1978)  significa “vigilância exercida sobre alguém ou alguma coisa”; “serviço de militares exercendo vigilância”; “tropa especialmente encarregada de defender um soberano”.                                  

           Guarda Republicana é a guarda da res publica, a coisa que é pertença de todos; herdeira das Guardas Municipais e da Guarda Real de Polícia, “força que se limitou a adaptar a Guarda Municipal ao novo regime, sem uma alteração profunda do seu pessoal, perdoado em virtude da atitude contemporizadora do seu último comandante geral, nem da sua farda, onde se mudaram emblemas e distintivos...”; (SANTOS, António Pedro Ribeiro dos – O Estado e a Ordem Pública. Lisboa: ISCSP, 1999.) cujo nome se apresenta próximo da Garde Republicaine de Paris, corpo da Gendarmerie francesa.      

           A Guarda é “nacional”, com proximidade onomástica à Guarda Nacional, radicada no republicanismo da revolução liberal de 1820; a sua designação implica abrangência espacial e há que ter em conta as implicações de tal designativo...

           A Guarda Nacional Republicana, força de segurança, organizada como corpo especial de tropas, de natureza militar, com largas e complexas atribuições de polícia na Segurança Interna, colabora na execução da política de Defesa Nacional, cumprindo as missões militares que lhe forem cometidas em cooperação com as Forças Armadas e prestando Honras Militares e outras de protocolo do Estado. A sua presença diária em todo o território nacional e no mar territorial complementa o papel das FA na Segurança e Defesa e é altamente simbólica em termos de soberania.

sinto-me: convicto.
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publicado por Zé Guita às 09:27
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26 comentários:
De Guarda Abel a 28 de Junho de 2007 às 17:36
“Tirando meia dúzia de ingénuos que levaram o seu juramento de fidelidade ao rei suficientemente a sério para morrer por ele, os únicos militares que atacaram os rebeldes foram os «pretorianos» da Guarda Municipal e uns tantos oficiais «africanistas» (...). Sem o apoio das Forças Armadas, a Guarda pouco ou nada valia contra os canhões da Rotunda e as bombas anarquistas”. Deste modo, o poder Republicano viu-se na contingência de reorganizar as suas forças: “ o novo poder da «rua» também se manifestou nos primeiros ataques ao aparelho repressivo do Estado. A Guarda Municipal e a Polícia eram execradas. Primeiro, porque entravam em contacto directo com o «povo» republicano. Segundo, porque recorriam prodigamente à força, nas manifestações como na intimidade das esquadras. A caça ao «guarda» e ao «polícia» começou em 5 de Outubro: houve prisões, espancamentos e até assaltos a postos da Municipal, a que nalguns casos se deitou um fogo purificador. (...) Depois a Municipal recebeu, em baptismo, a fé republicana e a Polícia, purgada dos espias e torcionários mais conspícuos, passou para mãos «seguras»: só com isso a «rua» pareceu sossegar (...) Das forças militares ou militarizadas que apoiavam a Monarquia, apenas no Exército se não tocou” Cf. VALENTE, Vasco Pulido, O Poder e o Povo, Gradiva, Lisboa, 1999, pp. 110 e 117.
Assim, a História é essencialmente um paradigma epistemológico assente na interdisciplinaridade com as diversas ciências sociais em busca dum estatuto científico que não se coaduna com a função política da historiografia tradicional. De facto, à História deve estar reservado a elaboração de soluções técnicas e não a legitimação de escolhas políticas. O discurso histórico encontra-se, desta forma, ao serviço da sociedade do presente e permite explicar a identidade social situando a sociedade presente relativamente às outras, porém mantendo na ordem discursiva vestígios de mitos e de teologia. De certa forma, a História prolonga a Mitologia na sua função essencial de assegurar a fidelidade do futuro ao presente e ao passado.
Sendo que, igualmente, a ideologia ocupa e desempenha nas actuais sociedades o lugar que já foi preenchido pelo mito e tendo como indiscutível que a História não se escreve através de mitos, pretender que haja uma continuidade entre a Guarda Municipal e a GNR é, no fundo, acreditar num “mito fundador” que, porém, não encontra corruboração nos factos históricos.
Sobre este assunto é conveniente consultar a «História do Exército português», de Ramires de Oliveira, uma vez que é o único estudo apoiado em documentos e em dados quantitativos, que apontam para a recomposição radical do quadro de oficiais, sargentos e praças, não havendo qualquer continuidade e linaridade entre a anterior força monárquica e o novo corpo militar de segurança da República. Houve imensas passagens à reserva e reforma compulsivas. Sargentos do exército (republicanos) promovidos a oficiais e colocados na GNR, praças da armada colocadas na Guarda com também civis (que se pressumem carbonários). A GNR da I República é decididamente jacobina e vai servir fielmente o Partido democrático de Afonso Costa, até à célebre «noite sangrenta» e ao triste episódio da “camionete fantasma”, com o assassinato do 1º Ministro António Granjo às mãos de uma praça da GNR e do marinheiro de alcunha o “dente de ouro”.


De Dina Sales a 8 de Julho de 2007 às 15:54
Por tudo o que li e tomei nota deste Blog, nada mais tenho a dizer sobre e para pessoas que pararam no tempo, ditas evoluídas mas que defendem a estagnação social e sociológica da GNR em contraposição á evolução geracional da sociedade, dos príncipios da liberdade, fraternidade e igualdade.
Lamento que por muito que se esforcem nunca conseguiram sair desse "mundo fardado" e opressor, dentro do qual também existem milhares de vítimas. Vítimas do tal pensamento e cultura arrogante, ditatorial, que enche as páginas da história da Guarda, transformando homens em lacaios sem pensamento próprio, como robôs automatizados a olhar para um ecrâ ou de caneta na mão a "reescrever o discurso de quem os comanda à distância". Dizem: «está tudo determinado»; logo nada lhe é permitido pensar.
Estes homens de que falo, encontramo-los todos os dias na rua e nas estradas, com medo de falar e dizer o que lhe vai na alma, quando as longas horas de xposição ao sol com os pés assentes no alcatrão convidam a tomar um copo de água fresca.
Apenas uma palavra de apreço e saudação ao Sr. Coronel Luis Fraga.

Respeitosamente D. S.
__________________________________
«A bem de um povo, duma nação.
Elevarei meu grito,
Até que as espadas me matem ou consolem minha dor»


De Guarda Abel a 28 de Junho de 2007 às 17:40
(continuação)
Quanto à história tradicional e à função social e política que esta desempenhava, ainda que o negasse, e sem olvidar as concepções marxistas que assumidamente buscavam essas funções, verifica-se que é “hoje pacífico na comunidade historiográfica, e muitas são as correntes epistemológicas no seu seio, que não se faz história ao serviço de, seja este de identidades nacionais, memórias colectivas, ou legitimidades políticas. E isto, seja em função do statu quo, ou da revolução”. Por fim, “o contributo da História para a Segurança e Defesa não é de legitimar, retrospectivamente, um qualquer regime, uma qualquer decisão de política externa, uma qualquer guerra; a contribuição da história é a de produzir informação verdadeira e procurar a compreensão de certos mecanismos que possa ser útil à tomada de decisão, mas independente dela.” Cf. TEIXEIRA, Nuno Severiano, «História, Segurança e Defesa. Uma perspectiva interdisciplinar» in Nação e Defesa, nº 52, Out-Dez, 1989, pp. 69-77
Saudações (desculpem o excesso literário do comentário, mas a verdade pode às vezes magoar)


De p2r9Guarda Abel a 28 de Junho de 2007 às 17:44
(continuação)
Quanto à história tradicional e à função social e política que esta desempenhava, ainda que o negasse, e sem olvidar as concepções marxistas que assumidamente buscavam essas funções, verifica-se que é “hoje pacífico na comunidade historiográfica, e muitas são as correntes epistemológicas no seu seio, que não se faz história ao serviço de, seja este de identidades nacionais, memórias colectivas, ou legitimidades políticas. E isto, seja em função do statu quo, ou da revolução”. Por fim, “o contributo da História para a Segurança e Defesa não é de legitimar, retrospectivamente, um qualquer regime, uma qualquer decisão de política externa, uma qualquer guerra; a contribuição da história é a de produzir informação verdadeira e procurar a compreensão de certos mecanismos que possa ser útil à tomada de decisão, mas independente dela.” Cf. TEIXEIRA, Nuno Severiano, «História, Segurança e Defesa. Uma perspectiva interdisciplinar» in Nação e Defesa, nº 52, Out-Dez, 1989, pp. 69-77
Saudações (desculpem o excesso literário do comentário, mas a verdade às vezes pode magoar)


De Zé Guita a 28 de Junho de 2007 às 18:32
Caro Guarda Abel

Os seus comentários continuam a enriquecer os esboços do Securitas. E a verdade não tem que magoar.
"A Pátria não se escolhe, acontece... a alternativa é amá-la ou renegá-la".
De modo semelhante, também a História, da Pátria, da Mátria, como das Instituições, acontece ao sabor dos ventos da dita.
Não há que renegar nem enviesar a História, mas sim que assumi-la por inteiro, quer o bem quer o mal, corrigindo e melhorando caminhos. Naveguemos: "hora a hora a Guarda melhora"!
Saudações cordiais


De "Nostrodamus" a 29 de Junho de 2007 às 15:47
Caro Zé Guita:

Lamento ter de o dizer mas não posso ir contra os meus príncipios. Os postes que ao longo do tempo o Securitas vem publicando neste espaço referem-se todos ao mesmo tema, GNR e mais GNR. O objectivo esta á vista, defender até ao "tutano" o estatuto e condição militar da GNR. como o mais nobre e útil "instrumento" que esta Força de Segurança tem para zelar pela segurança do povo e do estado democrático. Será que não existe outra via?
Sempre numa exaltação contínua, direi quase doentia aos valores militares, o Zé Guita, vai promovendo e tentando interiorizar nos leitores deste Blog que a Guarda só tem uma via a seguir para sobreviver. Manter a actual condição militar e se possível há que a reforçar este "condimento", porque aqui é que está a solução para a GNR enfrentar os novos desafios.
É uma opinião que eu respeito mas clao está que nunca aceitarei. Os homens de espírito livre e aberto devem saber escutar e ter sempre em conta que existe sempre uma outra via para atingir o mesmo objectivo. Ficar "colado" ao passado e às tradições adaptando o discurso `as circunstâncias é o fácil e o barato, agora conceber verdadeiros projectos de renovação e mudança isso é que falta. "Copiar o passado" e colocar-lhe uma farda de cor diferente já não é novo e essa é a solução que o caro Zé Guita vai defendendo neste espaço. A apologia que faz do militar, repetido até à exaustão onde os termos Corpo especial de Tropoas, Força de Segurança Miliatar, Corpo militar de policia, militar, militar, leva-nos e induz os mais incautos a pensar que não existe outra via/alternativa.
Seria muito bom que outras ideias surgissem e apontassem outro caminho para a Guarda, claro está no campo das hipóteses, pois o governo já decidiu e face a isso não é preciso o autor deste blog reavivar e bater mais nas virtudes da condição militar.
Para hoje talvez seja tarde pensar noutra solução mas quem sabe no futuro.
Agora e talvez o mais urgente é defender a Guarda dos interesses alheios e externos que estão subjacentes a toda esta polémica, visando defender interesses pessoais e a permanência eterna dos militares do exército na instituição GNR aos quais o Securitas tem dado uma preciosa ajuda, ignorando a vontade e os direitos de esmagadora maioria de profissionais que dão corpo à Guarda de se verem livres da "tutela" do exército sobre as suas vidas, sobre a GNR.
Na falta de alternativas porque não ! Guarda e somente mais Guarda, Força de Segurança Nacional sem o termo de corpo especial de tropas. Termo este redutor e até "injurioso" para quem se julga de corpo e alma Guarda Nacional Republicano e não mancebo da tropa.

Viva a republica.


De Zé Guita a 2 de Julho de 2007 às 01:49
Para Nostrodamus:

Com todo o respeito pela pessoa que está por trás e acima do francês, médico e astrólogo do século XVI, conhecido profeta da desgraça, sou mais uma vez forçado a declarar abertamente que não sou adepto da astrologia. Dado que também tenho princípios e convicções, compreendo e aceito que haja quem goste de navegar nas estrelas, eu, porém, modesto terráqueo, embora também sonhe, por enquanto procuro antes lidar com factos e manter-me dentro da realidade numa abordagem algo positivista.
Quanto ao caso que invoca de ao longo do tempo o Securitas se referir sempre ao mesmo tema, que para si parece excessivo, “GNR e mais GNR”, a sua proclamação parece-me redundante, dado ter ficado bem à vista nos blogs de abertura: a personagem do Zé Guita assume desde logo, claramente, a GNR como pertença e temática e dá a cara pela autenticidade e pela independência; solicita troca de ideias, apontando como prioridade a coesão social, linha que vem procurando manter.
Já no que toca ao objectivo que considera estar à vista de “defender até ao tutano” o estatuto e a condição militar da GNR, reformulo para “analisar e defender objectivamente o estatuto e a condição militar da GNR, possibilitando-lhe perdurar como instituição, modernizar-se como organização e melhorar como profissão, sempre no sentido de consolidar a Força de Segurança do povo e da democracia”. Não me revejo na adjectivação, que será fruto da sua leitura subjectiva. Se há outra via possível, como questiona, pois considero que é urgente que se revele, em termos estruturados para poder fazer-se a sua análise.
Sobre a “exaltação contínua... quase doentia aos valores militares”, o juízo é seu. Mas permita-me questionar se tem bem diferenciados os conceitos de militarização e de militarismo, sendo que de há longos anos a esta parte venho pugnando contra o militarismo na Guarda. Agradeço que me ajude a recordar onde é que o Zé Guita defendeu o “reforço do condimento militar” da Guarda; se alguma coisa escrevi em tal sentido, falhei. No entanto, confirmo que considero vital para a GNR manter a condição militar. Tenho vindo a aduzir argumentos e não creio estar proibido de emitir tal parecer. Aceito e respeito outras visões, discutíveis tal como a minha.


De Zé Guita a 2 de Julho de 2007 às 01:57
Para Nostrodamus:

(continuação)

Nunca aceitar uma opinião, é um problema seu. Pelo que me toca, estou de espírito livre – não libertino – e aberto – não escancarado – para escutar, mantendo a dúvida metódica sobre os caminhos a seguir.
Ficar “colado” ao passado não foi nem é a minha postura, pois desde muito cedo procurei abrir novos caminhos, não me limitando a manifestar discordância com o status quo. Mas nem por isso deixo de assumir e respeitar o passado, onde mergulham as minhas raízes e procuro orientações para melhorar o futuro. Já a tradição, aprendi a encará-la como precioso cimento institucional desde que expurgada de vícios maléficos. E garanto-lhe que não é fácil nem barato navegar contra correntes ideológicas, partidárias, pró e anti corporativistas, imobilistas, e simplesmente refractárias de indivíduos acomodados ou mal integrados.
É possível que por incapacidade minha esteja a passar mal a mensagem, porém, a minha intenção e o meu esforço vão exactamente no sentido de projectar renovação, segundo um modelo não anteriormente assumido – Gendarmeria e Terceira Força – que parece salvaguardar a Instituição. Defendo a minha “dama”, sem retirar a quem quer que seja o direito de apresentar outras e de por elas discorrerem argumentação de suporte.
Metodologicamente, esforço-me por lidar com factos e afastar especulações. E são factuais o modelo em vigor noutros países, a legislação portuguesa, a reclamação constante de autonomia como Terceira Força e não como Quarto Ramo das FA. Integrado na Guarda desde 1965, conheço-a suficientemente para ser capaz de identificar e não ignorar alguns dos interesses que nela e sobre ela se confrontam; mas não enxergo dados fiáveis que sustentem certas afirmações categóricas, razão pela qual creio ser conveniente fugir à tentação do estilo panfletário.
A Guarda, Terceira Força, militar, é o modelo que creio mais defensável. Corpo especial de tropas, não significa ser mancebo de ninguém, mas pode realmente ser “injurioso” se for maldosamente usado no sentido brasileiro do termo, “grande porção de gado ou de bestas de carga, que seguem em jornada”, em vez de “corpo militar”; mas cuidado, também pode ter outra amplitude e significar “aglomeração de gente: tropa de malandrins”. Ser ou não ser, eis a questão. De corpo e alma, depende muito da intencionalidade de quem usa.
Saudações




De "Nostrodamus" a 3 de Julho de 2007 às 17:44
Caro Zé Guita:

Antes demais tenho a dizer que muito prezaria poder-lhe responder de forma "aberta", sem a capa do anonimato, pois não sou daqueles que se escondem atrás dos muros para apedrejarem a caravana que passa. Eu creio que compreenderá a razão desta minha atitude uma vez que eu sou um elemento da GNR no activo, onde se diz que existe toda a liberdade de expressão mas depois se persegue e se coage aqueles que têm coragem de falar em publico o que lhes vai na alma. Sabe-o também quanto eu que é assim e cada vez pior, embora e está no seu direito não o queira aceitar.
Relativamente à questão de que falei ou seja a sua "dama preferida", GNR militar - Corpo de Tropas entendo que xiste outra via a seguir , a ser estudada, como o jubilado Doutor e coronel Luis Fraga já apontou. Não é meu hábito ir na corrente deste ou daquele só por ir, mas estou de acordo e subscrevo quase na totalidade o que este ilustre pensador defende para a GNR.
Com isto quero dizer que a outra via já á muito que está apontada, não é nada de novo, pura e simplesmente os interesses adjacentes e subjacentes não estão interessados nessa via. Sejamos sinceros, não é a sobrevivência da GNR que está em causa (pensar assim é rídiculo), nem a segurança nacional, apenas e só o interesse do lloby pró-exército e o medo inventado do papão fantasma. A hipotética subversão interna, que colocaria a PSP de um lado e a GNR do outro como fiel da balança ou então a GNR de um lado e as FA do outro. A GNR a defender o poder instalado como sempre fez, as FA a defender os filhos do povo.
Este pequeno canteiro como é Portugal, só precisa de ter uma força de segurança com características da GNR ou PSP bem preparada para actuar no campo da segurança interna e umas Forças Armadas profissionais bem equipadas e treinadas e com competências para actuar seja onde for em missões de paz ou de conflito aberto ou em caso de extrema necessidade serem usadas em conflitos de natureza interna para assegurar o funcionamento das instituições democráticas.
O fiel da balança deve estar no meio destes dois campos.
Caro Zé Guita, esta é apenas e só uma modesta opinião, que um dia também estára em cima da mesa dos decisores para ser debatida.
Quando ?
Não sei. Talvez quando as mentes se abrirem e a luz da clarividência bater nos olhos da mediocridade politiqueira, incapaz de pensar novas organizações e modelos de segurança.
Atenciosamente, os meus cumprimentos


De Luís Alves de Fraga a 30 de Junho de 2007 às 07:19
Sinceramente gosto de ver o esforço de erudição que neste blog se faz para defender a GNR! Defender uma GNR “militar”, “corpo de tropas”, etc. etc..
Como já foi dito, o Governo decidiu, está decidido! Mas, tal como também já foi dito, tudo pode mudar.
Em vez de erudição (às vezes invocando autores que sobre verdade deviam estar calados, porque são mentirosos na sua vida privada) julgo que seria mais vantajoso olhar a realidade concreta do dia-a-dia da GNR e ver o que ela realmente faz e compreendê-la à luz dessa mesma realidade. De seguida, tentar explicar porque é que ela ainda é “militar” e, então, aí sim, com base no passado recente explicar esse “fenómeno” “militar”. Mais adiante, fazer o inventário das vantagens e desvantagens de continuar a ser “militar”. Por fim, perceber os motivos porque, historicamente (ou por tradição) se mantêm dois corpos de segurança interna – a GNR e a PSP – e a um se não teve relutância de classificar como “não militar” e a outro se insiste em manter-lhe esse estatuto (que, em meu entender não lhe dá lustre, mas, ao invés, o deslustra). Complementarmente, e para ajudar à explicação, poderia o autor do blog, tentar perceber e explicar, qual o motivo que levou o Exército a, durante tantos anos, justificar a GNR como segmento “militar”, tutelando-a. E, para ir mais longe, poderia enquadrar tudo isto no passado recente de Portugal, olhando a GNR e a PSP à luz do seu papel activo na resistência e subsistência do regime político – primeiro o republicano implantado em 5 de Outubro de 1910 e, depois, o supostamente republicano (porque realmente oligárquico) imposto em 28 de Maio de 1926.
Se o autor seguir uma metodologia deste tipo e procurar ser isento (o que, com base no comentário anterior, duvido que consiga ser) talvez compreenda que defender uma GNR “militar” ainda é conveniente a alguns sectores corporativos militares (das forças armadas), a alguns nichos políticos que gostam de manter guardas pretorianas e, acima de tudo a muitos que têm verdadeiro pavor da mudança, por lhes faltar a imaginação criativa.


De Zé Guita a 3 de Julho de 2007 às 10:20
Senhor Luís Alves de Fraga:

O esforço que neste blog é feito pela personagem Zé Guita não tem como finalidade demonstrar erudição, sendo mais orientado para a análise de terminologia, conceitos e esboços de doutrina que objectivamente sirvam para defender não uma GNR “militar”, “corpo de tropas”, “etc., etc.” mas antes, e até melhor argumentação, uma GNR “Terceira Força”, com especificidade “gendármica”. Se aprecia o esforço, uma sua crítica construtiva certamente entenderá a diferença.
Numa postura realista e considerando que a política além de ser “o que fazem os políticos” deve desenvolver-se como “a arte do possível”, penso que as decisões do Governo são factos a ter na devida conta, do mesmo modo que nem tudo está definitivamente estabelecido. Daqui valer a pena o esforço.
Quanto à invocação de “autores que sobre verdade deviam estar calados, porque são mentirosos na sua vida privada”, terá de clarificar, pois a sua formulação apresenta-se mais esotérica do que abertamente discursiva.
No que respeita à sua sugestão metodológica de que “seria mais vantajoso olhar a realidade concreta do dia-a-dia da GNR e ver o que ela realmente faz e compreendê-la à luz dessa mesma realidade”, agradeço a dica e respondo que – por pertença – estou imerso na realidade da GNR desde 1965; que – por formação académica – conheço e tenho procurado desempenhar o mais correctamente possível o papel de observador participante. Embora mantendo o espírito aberto, ouso possuir uma boa compreensão da realidade GNR.
No que toca ao esforço metodológico que aponta, que me parece preferencialmente de abordagem histórica – modesto sapateiro, não vou além da chinela – não me considero tecnicamente competente para o realizar. Apenas consumidor de História e simples aprendiz de Sociologia – embora com algumas janelas entreabertas – não me limito a afirmar convicções sem as fundamentar, tento efectivamente perceber e explicar, expondo ideias de forma crítica e quanto possível construtiva.
Sobre o seu entendimento de que a condição militar “deslustra” a GNR, a opinião é sua.
Sobre a sua dúvida acerca da isenção do autor do blog Securitas, ser-me-ia fácil responder em termos de reciprocidade mas prefiro sugerir que pense melhor. O Zé Guita procura ser autêntico e independente.

Saudações cordiais


De Luís Alves de Fraga a 4 de Julho de 2007 às 00:22
Senhor Zé da Guita
(Convenhamos que me sinto ridículo a tratá-lo assim).
Três anos mais tarde da sua «imersão» na Guarda (em 1968) fiz eu a minha estreia na imprensa regional, publicando as minhas primeiras crónicas. Vivíamos em plena ditadura. Eu era tenente (da Força Aérea, como creio que sabe) do quadro permanente e não tive receio - pensando então como penso hoje - de assinar o meu verdadeiro nome nos jornais que, na época, passavam previamente pela Comissão de Censura onde, por regra, pontificava sempre um oficial das Forças Armadas. Nada nem ninguém receei.
Anos mais tarde, em 1973, na cidade da Beira, passeia a assinar uma crónica radiofónica semanal com uso de pseudónimo (por acaso, nome de família)mas dando a minha voz ao programa.
Quero dizer que, desde muito jovem, me habituei a «dar a cara», mostrando-me tal qual sou e tal qual era, sem receios de represálias nem de punições.
Nos diferentes louvores que me foram dados por generais todos referem a minha frontalidade.

Vivemos em democracia, agora, e estranho que num blog bastante participado por gente ligada à GNR abundem os pseudónimos.
Falta de coragem? Receio das perseguições internas? Modéstia pública?
Seja o que for, não vai nem de feição com o regime político nem de acordo com a frontalidade pela qual é norma pautarem-se as atitudes dos militares. É a minha opinião que, como disse, sexagenário, desde muito cedo me habituei a defender as ideias em que acredito de cabeça levantada e bem de frente, olhos nos olhos.
Senhor Zé da Guita, quer questionar a GNR e os seus problemas, sendo dela membro? Enfrente a situação e faça-o desabridamente; caso contrário, acabe com o blog e deixe de "brincar" aos analistas e estudiosos. Fica-lhe mal, deslustra-o e pouco ou nada adianta à comunidade, porque do que se precisa, neste momento - como sempre, aliás - em Portugal é de quem, sem receios, diga com serenidade o que pensa, para fazer progredir este desgraçado país.
Quanto ao resto, responderei se e quando conhecer o interlocutor.
Cumprimentos


De Zé Guita a 4 de Julho de 2007 às 17:13
Senhor Luís Alves de Fraga:
Sinto-me perfeitamente à vontade para o tratar deste modo, pois é assim que subscreve o blog Fio de Prumo, apenas no respectivo perfil descortinando uma fotografia (não suficientemente clara em termos biográficos) e a sua honrosa raiz como “pilão”. Como me parece correcto, respeito a sua identificação explícita. Por atenção a esta mesma identificação, passo ao lado de alguns “sopros” laterais, embora não os ignore.
“Zé da Guita”, como insistentemente me invectiva, pode realmente ter laivos de ridículo, dependendo da intencionalidade de quem usa a expressão. Sei que o ridículo pode “matar”, mas não me sinto atingido.
Zé Guita é o pseudónimo adoptado pelo autor do blog Securitas para, fazendo uso de uma figura de estilo, de algum modo construir uma personagem (persona = máscara), que procura desempenhar um papel no “teatro” da sociedade em que estamos a viver (post “Zé Guita porquê?”). E não se trata de esconder atrás do anonimato, pois o pai do Zé Guita apresenta-se claramente identificado e com dados biográficos mais que suficientes quer no “Perfil” quer no “Mais sobre Mim”.
Fico ciente das suas actividades como cronista regional e radiofónico e por isso lhe apresento felicitações. Faz-me lembrar passagens minha juventude... e leva-me a reflectir nos conceitos de crónica e como se trata de um género difícil...
Tenho em conta que é um oficial da Força Aérea, o que muito o honra.
Registo a sua atitude de sempre “dar a cara” e de “não recear nada nem ninguém”. É louvável. Certamente reconhecerá que tais atitudes hão-de ter limites, mas não são mensuráveis, dependem de critérios, razões pelas quais me coíbo de as afirmar em termos genéricos. Contudo, respeito a sua posição. A frontalidade, bem entendida, é um traço da cultura militar e, pela parte que toca, procuro fazer dela uso correcto.
Procuramos viver em Democracia, mas acontece que o pensamento é livre e nem todos a pensam da mesma maneira... Considero menos bom tentar medir a coragem, invocar perseguições, desprezar a modéstia... Tal pode conduzir ao extremar de posições ideológicas, partidárias, corporativas ou outras e anular a simples troca de ideias e produtiva reflexão.
Questiono sobretudo o futuro da GNR, exactamente porque sou parte dela. Seria um dislate meu questionar, por exemplo, a Força Aérea.
Enfrentar desabridamente uma qualquer situação, não me parece traço da cultura militar, antes aponta para conduta militarista, a qual recuso.
A sua recomendação no sentido de acabar com o blog, leva-me a ponderar: Será que vou seguir a directiva ou antes manter a defesa daquilo em que acredito? A decisão é minha. Mas, para já, sinto-me influenciado pela impressão de estar a incomodar. Não é esta a intenção.
Embora esteja a caminho da Quarta Idade, não estou a “brincar aos analistas e estudiosos”. Tenho estudado ao longo de quase toda a vida e ainda não desisti de o fazer; quando analiso, dentro das minhas capacidades, faço-o a sério e em termos sérios.
Quanto a ficar-me mal tal postura, que me deslustraria, é apenas um juízo seu, que até terá acompanhantes. Mas acontece que também existem e chegam até mim juízos com diferente timbre. Sou obrigado a sopesar os pratos da balança.
Se eu dizer o que penso, não dizendo tudo, pouco ou nada adianto à comunidade, com toda a serenidade – e não desabridamente – aceito ser por ela ajuizado. Em termos que tenham um mínimo de validade.
Quanto ao resto, dado conhecer o interlocutor, queira ter a paciência de responder objectivamente.
Saudações


De Guarda Abel a 30 de Junho de 2007 às 15:20
Com os tempos conturbados da I República, o sistema de segurança interna é, sobretudo, um campo em que se confrontam interesses e ambições políticas. Sarmento Pimentel, num artigo publicado em 1924, na Seara Nova, esboça um quadro crítico a propósito do “problema da ordem pública”, notando que a política interna à época era invariavelmente marcada por esta questão, conclui pela necessidade de “organizar a força pública, remodelar todos os serviços dando-lhes coesão, ordem, prestígio, autoridade, separando as missões que a cada um dos seus elementos constitutivos pertence”. (PIMENTEL, Sarmento, «O Problema da Ordem Pública» in Seara Nova. Antologia, Vol II, [Impresso por Antunes & Amílcar], Lisboa, 1972)
Ao procurar distinguir o conteúdo funcional das forças que tinham competência para a defesa da ordem, Sarmento Pimentel referia que à Polícia deveria caber um papel exclusivo de “investigação, informação e manutenção”. Quanto ao Exército este serviria para a Guerra e na “Paz a sua missão consiste na preparação de todos os elementos para a Guerra”, porque o «Exército polícia» e o «Exercito político» são “a negação completa da sua alta missão para com a Pátria”. Quanto ao papel da GNR o excerto textual é elucidativo:
«A Guarda Republicana devia ser uma força para intervir apenas quando a polícia tenha sido impotente para a manutenção da ordem, isto é, quando a ordem está alterada e tem de se reprimir a desordem com violência. As suas funções são de intervenção e repressão. Quando a Guarda Republicana intervém, já a desordem atingiu uma fase tumultuária e grave, já foi um caso extremo de absoluta necessidade.
É portanto indispensável que seja uma força cheia de prestígio, de energia, de severidade. A sua presença seria bastante para garantir a solução rápida, eficaz, de qualquer maior desordem. Para tal fim não há necessidade duma Guarda de muitos milhares de homens, como agora mas dumas centenas de militares disciplinados, física e moralmente aptos, comandados por oficiais distintos. As grandes Guardas pretorianas – logradouro de misérias e incompetências com maus instintos – foram sempre causas de rebelião nas mãos ambiciosas e sem escrúpulos dos políticos e dos partidos, e pesam no Orçamento ainda mais que as patas dos seus cavalos na consciência da gente livre.»
Cumprimentos do Abel


De Luís Alves de Fraga a 1 de Julho de 2007 às 20:14
Caro Senhor,
Sarmento Pimentel foi um homem de ideias claras para o seu tempo. E ainda bem, pois assim podemos pegar no que disse e ensaiar levar um pouco mais longe a sua lógica. Vejamos.
A GNR como uma pequena força para repressão dura quando a PSP já não tiver meios ou capacidades. Não estava mal pensado para a época. Todavia, o que Sarmento Pimentel se esqueceu de dizer - embora o haja afirmado quanto ao Exército - é quem comandava essa Guarda. Nem mais nem menos do que oficiais do Exército!
Mudavam-se as «moscas», ou seja os soldados que, no caso vertente, passavam a designar-se por guardas, e lá tínhamos uma «espécie de Exército» vocacionado para a repressão complementar da PSP.
Será assim que a Guarda e os oficiais do Exército que ainda a comandam desejam ser vistos?
Julgo que a GNR não se honra nesta perspectiva, porque ser «militar» para assumir o papel de repressor não honra nem o Exército nem quem se faz passar por tal.
Para ser uma força de segurança interna não precisa de ser militar, podendo ser uma corporação militarizada, isto é, uma força que vai buscar aos militares uma certa forma de hierarquia e de disciplina, mas cuja missão, nem de perto nem de longe, se confunde com a daqueles, pois servir a segurança interna é honroso, mas ser o «braço escondido» do «Exército repressor» já o não é.
São nuances que fazem toda a diferença... para uns e para outros!
Por hoje é tudo.
Os melhores cumprimentos


De Garda Abel a 2 de Julho de 2007 às 16:33
Caro senhor,
O problema da Guarda é ter sido desde sempre Exército disfarçado, embora recentemente tenha trocado o verde pelo azul!
Resta saber como vai encontrar o seu lugar no Sistema de Segurança Interna, mantendo alguma especificidade.
Que caminhos deverão ser trilhados para se atingir esse fim é a pergunta q se impõe.
Cortar o cordão umbilical com o Exército parece ser, para muita gente, um dilema doloroso...
Resta saber até quando.
Com os melhores cumprimentos


De Barão da Tróia a 2 de Julho de 2007 às 15:19
Sou um apologista acérrimo das tradicões dos Regimentos, alias elas deveriam fazer parte da mistica de cada Regimento, no entanto no que toca à manutenção da GNR como estrutura militar discordo.
Discordo porque como está, esta Guarda, serve de pouco, serve para pouco e mais dela se servem que serviço prestam. Discordo da extinção da BT, que creio ser um acto impensado e néscio. O país não tem estrutura para alimentar, duas estruturas de comando como ora existem a da GNR e a da PSP, fundir as duas, claro essa é a solução, sem margem para dúvida, alguém com eles no sítio par o fazer? Duvido que exista. Há demasiados interesses, demasiados compadrios e negociatas, demasiada gente influente a embolsar à conta do orçamento, por isso deixai correr, um dia quando estoirar, estoirou e pronto. Boa semana.


De Dina Sales a 4 de Julho de 2007 às 19:20
Por mero acaso ao "desfolhar" as várias páginas do "mundo" da blogosfera deparei com o Blog Securitas.
Sem saber nem conhecer a razão da existência do mesmo, consegui pelas postagens inseridas - temas que a pretensão do seu autor é divulgar a sua tese sobre como a GNR deve ser no futuro, apontando um modelo que me parece ser o mesmo de sempre. Não sou versada na área das Forças de Segurança e muito menos em questões militares, mas conhecedora profunda da forma de actuação e história da Guarda.
Assim tenho uma ideia muito própria do que na GNR devia mudar, para apagar o seu passado negro, de força colaborante da PIDE, de instrumento repressivo e servidora " cega" do regime ditatorial.
Mesmo hoje mantém esse perfil, vejamos o que aconteceu ainda recentemente no dia da greve geral, convocada pela CGTP. A GNR a mando do poder xuxalista pronta e eficazmente como sempre, observa as movimentações e regista as faltas dos trabalhadores que aderiram á greve, comprovam-no os relatórios a que chamam segundo sei, SITREP DIÁRIO. O episódio que se passou numa Câmara do baixo-Alentejo no dia da referida greve geral, é a prova provada que a GNR mantem e usa os mesmos métodos repressivos e intimidatórios do passado. Como tem competência e cobre todo o território nacional a GNR é a dama preferida e ideal do poder instalado que a usa a seu belo prazer em tarefas pidescas como no passado.
Esta postura é que a GNR tem de mudar, fazer jus ao seu lema. «Pela grei e pela lei.» e não contra a grei.
A questão de ser militar talvez seja um factor que pouco ou nada abona a favor do pessoal e da missão da GNR - Força Policial, daí que também sou apologista da mudança ou fusão com a PSP, por forma a dar-lhe um cunho civilista mais consentâneo com a missão que desempenha.
Mais próxima do povo e mais humana.
Pelo que aqui li, há uma forte corrente a defender a condição militar da GNR, não concordo de forma alguma, mas segundo sei essa também é a vontade do governo. A somar aos inúmeros erros cometidos por estes senhores xuxalistas à a somar mais este.
Falam em mudança nas F. Segurança, mas neste caso a mudança é deixar tudo na mesma.
Ao menos caros senhores governantes, mudem o barrete á GNR esse "chapéu" horrível que nos traz à cabeça más memórias. Pois há imagens que nunca mais esquecemos mas que podemos retirar da frente da nossa vista.

Ass: D. S.


De Luís Alves de Fraga a 5 de Julho de 2007 às 09:26
Senhora D. Dina Sales
Deixe-me cumprimentá-la pelas suas palavras.
Disse tudo o que havia para dizer, com exactidão e precisão.
Acrescentaria mais um pouco: a GNR foi e é como foi, durante muitas décadas, o Diário de Notícias: um fiel servidor de quem mandava. Deu guarida a Marcelo Caetano, depois de ter guarnecido os fortes onde estavam presos políticos, depois de ter reprimido todas as manifestações contra o Estado Novo (é célebre a fotografia de um oficial da GNR, a cavalo, a dar ordens ao general Humberto Delgado!); na democracia serviu com generosidade e prontidão os Governos que determinaram o fim da reforma agrária e lá estava ela na desocupação das herdades alentejanas... Continua a ser a força repressora ao serviço dos Governos. E porquê?
Simples! - Uma verdade simples que o dono deste blog não me parece ter trazido à discussão - Porque é constituída por profissionais militares, que por o serem, se desligam da população de onde provém (vd. Loureiro dos Santos aquando da controvérsia sobre serviço militar obrigatório ou Exército profissional).
Funda-se a GNR na PSP, sem estatuto militar, e logo se verá a diferença.
Minha Senhora, uma vez mais, os meus parabéns.


De agapito a 5 de Julho de 2007 às 20:09
Já todos percebemos que o sr é visceralmente contra a guarda. Porque será? Essa de invocar o facto de M.Caetano ter ido parao Carmo também lhe posso contrapor que estava previsto a ida do Alm Tomás para as instalações da FA em Monsanto. Nestes assuntos é melhor não atirar pedras para o ar... ou já se esqueceu que naquela altura quem não era por mim era contra mim? Alardear que escrevia crónicas creio ,de cariz anti-situacionista e nunca ter sido incomodado, teve sorte. Outros por muito menos foram presos , demitidos e viram as suas carreiras arruinadas.Ou não é verdade que dentro das FA havia bufos?Também gostava de saber qual a diferença, penso que para melhor,(!) resultante da fusão das duas forças? Se um militar profissional se "desliga do povo" à luz desta permissa não sei se ainda se considera militar. Saudações


De Luís Alves de Fraga a 6 de Julho de 2007 às 10:01
Sr. Agapito,
Engano o seu! Não sou visceralmente contra a Guarda. Sou contra a GNR "colada" ao Exército e se para a "descolar" houver que fundi-la com a PSP, acho que será mais económico do que manter duas corporações que se sobrepõem em grande número de missões. Julgo ser elementar! Mas pode não ser assim... Pode manter-se uma GNR que absorve a PSP, contudo, desligada do Exército. O problema fundamental é esse, torneá-lo é tentar desviar a questão essencial para o que é acessório. Numa frase que repetirei à exaustão, se necessário: o Exército (e, em sentido lato, as Forças Armadas) não deve estar ligado à segurança interna e, por essa via, à repressão social do seu próprio país.

Mas quem disse que a Força Aérea era "campeã" das liberdades? Eu não fui! Claro que Monsanto era outro bastião preparado para receber o Governo ditatorial. Isso toda a gente sabia! A FAP era, dos três ramos das FA , o mais "seguro" para o Governo fascista (não me ataque por assim o designar... já sei que fascista houve só um, o italiano!). Mas tudo isso não me obriga a concordar com o passado da FAP e dos seus generais, comandantes e chefes. Exactamente por eu não concordar com a ligação (entenda-se, dependência) dos Governos às FFAA (que existem para defender a soberania e a independência da Pátria e não para defenderem regimes políticos) é que discordo que a GNR seja parte das FFAA . É simples, não é?
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Sr. Agapito, <BR>Engano o seu! Não sou visceralmente contra a Guarda. Sou contra a GNR "colada" ao Exército e se para a "descolar" houver que fundi-la com a PSP, acho que será mais económico do que manter duas corporações que se sobrepõem em grande número de missões. Julgo ser elementar! Mas pode não ser assim... Pode manter-se uma GNR que absorve a PSP, contudo, desligada do Exército. O problema fundamental é esse, torneá-lo é tentar desviar a questão essencial para o que é acessório. Numa frase que repetirei à exaustão, se necessário: o Exército (e, em sentido lato, as Forças Armadas) não deve estar ligado à segurança interna e, por essa via, à repressão social do seu próprio país. <BR><BR>Mas quem disse que a Força Aérea era "campeã" das liberdades? Eu não fui! Claro que Monsanto era outro bastião preparado para receber o Governo ditatorial. Isso toda a gente sabia! A FAP era, dos três ramos das FA , o mais "seguro" para o Governo fascista (não me ataque por assim o designar... já sei que fascista houve só um, o italiano!). Mas tudo isso não me obriga a concordar com o passado da FAP e dos seus generais, comandantes e chefes. Exactamente por eu não concordar com a ligação (entenda-se, dependência) dos Governos às FFAA (que existem para defender a soberania e a independência da Pátria e não para defenderem regimes políticos) é que discordo que a GNR seja parte das FFAA . É simples, não é? <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Exactamento</A> </A></A>, nesse tempo, "quem não era comigo era contra mim" (não queiramos repeti-lo na argumentação utilizada actualmente... Eis porque não sou "contra" a Guarda!... É mais fácil fazer uma revolução política do que uma revolução de mentalidades, sabe?!... Entenda como quiser!). <BR>Eu não era com o Estado Novo, por isso, por vocação patriótica, resolvi servir uma corporação cuja vocação era, não a defesa das instituições políticas vigentes, mas a defesa da Pátria... Caso contrário teria ido alistar-me na PIDE. <BR>E quem disse que não havia bufos nas FFAA ? E quem disse que não fui incomodado? Mas fui sempre frontal e, por ter dado sempre com gente que partilhava dessa mesma maneira de ser, e por ter sempre sido lógico na minha postura, e por ter sempre defendido que servir a Pátria não era o mesmo que servir o Governo, nunca houve a coragem (ou mesquinhez) de levar mais longe os incómodos do que meras chamadas de atenção. <BR><BR>Não fui suficientemente explícito ao dizer que o militar profissional se desligava sempre do povo! Devia ter soletrado a ideia; não o fiz e, disso sou culpado. Mas faço agora. <BR>A conscrição nacional como forma de serviço nas FFAA mantém , sociologicamente, estas ligadas à parte "viva" da Nação, através de todos os anos trazer às fileiras quem está disposto a servi-la e quem faz sacrfícios nisso. São estes militares (preferia que dissesse "soldados") que dão aos oficiais e sargentos dos quadros (aos mais inteligentes, claro) o "sentir" real da Nação. Mas se a incorporação se fizer sob a forma de contrato profissionalizante os soldados passam a "sentir" a corporação a que livremente aderiram e distanciam-se das suas origens populares. Neste último tipo de sistema gera-se um fenómeno de "circuito fechado" que leva as FFAA (agora e cada vez mais corporativas) a fazerem "tudo" para que se possam manter enquanto corporação e, assim sendo tornam-se presas fáceis da vontade manipulatória dos Governos (que supostamente deveriam servir a Pátria, mas, na verdade, servem interesses menos altruístas). <BR>Claro que a primeira hipótese supõe que os graduados militares, por formação e educação, não se sintam ao serviço dos Governos mas ao serviço da Pátria e, por isso, sejam capazes de, quando necessário, questionar as ordens que achem que afrontam este código deontológico, arcando com as respectivas consequências (razão pela qual nem todos os dias podem e devem adoptar tais procedimentos). <BR>Consegui esclarecê-lo? Consegui provar-lhe que, mesmo sendo (e tendo sido) oficial profissional nunca me desliguei do Povo, da Nação e da Pátria? <BR>Espero que o dono deste blog não ache a minha resposta fora dos limites do estatuto editorial que publicou.


De agapito a 8 de Julho de 2007 às 23:30
Ex.mo Sr. Luís Fraga
Antes de mais agradeço a sua resposta. Percebo perfeitamente as suas ideias sem ser necessário soletrar (deformação de prof). Toda esta troca de opiniões que aqui se vêm explanando e a que venho assistindo, quanto a mim, enfermam de um pressuposto errado e que é este:parece-me que nunca aqui foi dito que a guarda ou a esmagadora maioria dos seus elementos advogasse o desejo de pertencer ás FFAA ou se colar ao Exército. Quem nos dera a nossa total e completa indepêndencia. E sabe porquê? Estamos fartos de ser colonizados por esta última organização.Sabe o que é ser comandado por individuos alheios à instituição e que algumas vezes a arrastaram para onde não queríamos.Para já não falar das vantagens advenientes em termos de vagas em prejuízo dos profissionais. Imagine V.Ex.ª porventura um coronel do exército ir comandar um base aérea(!) .Pois se esta função é privativa dos pilav ,tal situção era perfeitamente aberrante. É o que se passa na guarda. Neste ponto penso ter clarificado a nossa posição. Outro aspecto que V.Ex.ª gosta de vincar é a defesa da Pátria como missão das FFAA.É verdade ,mas não tem o exclusivo.Espero que não tenha dúvidas acerca da devoção à Patria por parte dos militares da guarda. Fiz um juramento igual ao que V.Ex.ª fez.Vejo que também faz destrinça entre servir a Pátria e servir governos. Teoricamente até concordo com V.Ex.ª. Só que na prática acaba por ir dar ao mesmo. Quando se diz que os militares se subordinam ao poder politico, implicitamente servem o governo legitimamente vigente, caso contrário há levantamentos militares sempre que não concordem com o governo. Para terminar e o meu amigo Zé Guita não se zanga se acaso me desviei do tema, cito Edward Teller ao escrever:O passado é passado. Acabou. O futuro não existe. Precisa ser criado, microssegundo a microssegundo, por todas as coisas e seres vivos do universo. Boa Noite a V.Ex.ª. Agapito Santos Carvalho


De agapito a 5 de Julho de 2007 às 20:34
Minha Senhora
Não tenho por hábito tratar de assuntos militares com civis. Mas face ao que escreve que considero insultuoso para uma FSegurança como é a Guarda vou abrir uma excepção. Para quem diz que não percebe de assuntos militares e de FS permita-me que discorde desta sua afirmação. Ao usar terminologia que é de uso interno está muito bem informada. Contudo sempre lhe vou dizendo que a guarda não renega o seu passado. Se colaborou com a PIDE fê-lo de acordo com a lei vigente como de resto faziam todas as instituições do Estado civis e militares (leia-se FA ). Era assim .Quem o não fizesse tinha a sua vida arruinada. Sem querer puxar de pergaminhos , digo-lhe a título de exemplo que por em Angola não ter dado passagem a uns PIDES que queriam passar num posto de controlo militar para irem caçar, vi comprometida mais tarde e entrada na Guarda. Como o poder militar está subordinado ao poder poder político a guarda ao receber ordens da tutela MAI necessariamente terá de cumprir. Isto para lhe responder à questão da greve . Se a mesma ordem for dada a PSP ela igualmente cumprirá. Vivemos num estado democrático e se não está satisfeita com o governo terá ocasião de o mudar nas próximas eleições . Espero que nunca precise de recorrer à guarda. Assim poderá continuar a invectivá-la. Quanto ao boné é a única coisa que concordo consigo. Saudações


De Zé Paisano a 8 de Julho de 2007 às 00:01
Sr. Agapito
Isso é que é arrogância... não discute assuntos militares com civis. Bolas! Aos civis só dá ordens, não é?
Pelo que li antes há quem ache que a sua guarda não é militar.
E os Pides de Angola iam caçar o quê? Não deviam ser jacarés, se calhar iam caçar aqueles animais mais conhecidos pelos minons ou minãos também chamdos turras. Ora foi-se meter com caçadores desses bichos, claro estava à espera de quê?
O senhor Agapito também era um bocadinho ingénuo quando era jovem, mas isso deve-lhe ter passado depois quando entrou para a guarda e reparou que a pide e outros no género, como por exemplo a Legião tinham fortes infiltrações na sua organização. Não há nada como aprender com a experiência. È por isso que trata assim os pobres civis como eu e aquela senhora tão bem educada.
Cumprimentos sr. Agapito e vá continuando assim que ainda há de ter um enterro muito bonito e muito frequentado


De agapito a 8 de Julho de 2007 às 20:14
Sr. Zé Paisano
A arrogância que me atribui não é tanta que me impeça de lhe responder. É uma questão de principio não discutir assuntos profissionais com quem não est á a par das situações. É verdade que quando somos somos jovens sempre temos alguma ingenuidade. É próprio da idade que com o tempo se vai perdendo e nos obriga a por à defesa. Claro que ao longo da vida fui encontrando muita gente dessa infiltrada mas aí j á os topava ao longe. E alguns eram personagens bem colocados. Quanto ao que leu sobre a guarda são meras opiniões que não passam disso mesmo. Respeito-as mas não mais do que isso. A respeito de educação registo o reparo mas não recebo lições de ninguém, até porque no caso vertente não houve ,nem podia haver qualquer incorrecção. Sobre o meu funeral esteja descansado que não espero que l á vá . Sobre este assunto já fiz as minhas disposições e não pretendo dar incómodo a ninguém. Saudações


De Luís Alves de Fraga a 10 de Julho de 2007 às 10:15
Porque me parece muito a propósito partilhar este estudo (não sei se verdadeiro, mas aceito-o como tal) com os leitores deste simpático blog, visto enquadrar-se no tipo de condicionalismos que se dão e desenvolvem em meio militar, não resisto, com a autorização do dono do «Securitas», a transcrevê-lo (recebi-o via e-mail):
«COMO NASCE UM PARADIGMA
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, no alto do último degrau, colocaram um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria sobre os que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi tentar subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de algumas sovas, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo macaco foi substituído, e o mesmo aconteceu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na sova do recém-chegado. Um terceiro macaco foi trocado, e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, embora nunca tivessem apanhado um banho gelado, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam naquele que tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui... " É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO " Albert Einstein».

Dá para pensar, especialmente tratando-se de FFAA e Forças de Segurança, não concordam?
Os melhores cumprimentos


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