Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Caracterização da GNR

 

   

     Uma vez que é uma das temáticas propostas, e para esquematizar com clareza quadros mentais de referência, é agora tempo de caracterizar a GUARDA NACIONAL REPUBLICANA, procurando vincar bem as grandes linhas da sua conceitualização.

     Também aqui procurei encontrar a última palavra no importante relatório preliminar (sumário executivo) “Estudo para a Reforma do Modelo de Organização do Sistema de Segurança Interna”, que refere ter analisado detalhadamente o sistema português. Encontrei a GNR abrangida no conjunto das “Forças e Serviços de Segurança”; e classificada entre “as principais forças de segurança (GNR e PSP)”. O relatório não explicita uma caracterização mais detalhada,    

     Assim, há que seguir outros caminhos.

     Em termos liminares de História, a Guarda é descendente e seguidora do modelo francês da Gendarmeria Nacional.

     No dizer já tradicional do respectivo decreto orgânico, é um corpo especial de tropas.

     Segundo a lei de bases do Estatuto da Condição Militar, aos seus elementos é inequivocamente atribuída a condição militar (e não militarizada).

     Em conformidade com a lei de segurança interna, é uma força de segurança.

     Atendendo às missões que lhe estão legalmente atribuídas, é um garante da ordem pública, desempenha funções de polícia administrativa e tem competências de órgão de investigação criminal.

      Enquanto órgão de polícia, desenvolve actividades de informações, de prevenção, de repressão e de assistência.

     Enquanto força pública, é um importante parceiro da Protecção Civil.

     Enquanto corpo de natureza militar, colabora na Defesa Nacional e na prestação de Honras do Estado.

     Em termos sociológicos, é uma agência de controlo social formal. Isto é, envolve-se num conjunto de processos por meio dos quais a sociedade impõe o seu império sobre os indivíduos e mantém a coesão social, se necessário de modo coercivo.

          Atenta a teoria da instituição, reúne as características próprias para ser considerada uma instituição militar e uma instituição policial.

     Perante a teoria organizacional, reúne condições bastantes para ser considerada uma organização social com identidade própria.

     À face da sociologia das profissões, os seus elementos enquadram-se indubitavelmente numa estrutura profissional.

     Tendo em atenção, por um lado a sua natureza militar e, por outro lado, a sua função policial a GNR é um corpo militar de polícia, considerado como uma terceira força.

 

     Para que conste e seja analisado e comentado.

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Homenagem ao Coronel JOSÉ DE ALMEIDA COELHO, um Homem da Guarda, que hoje vai a enterrar.

     

sinto-me: na dúvida metódica.
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publicado por Zé Guita às 10:56
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11 comentários:
De poleao a 29 de Janeiro de 2007 às 11:53
Meu caro amigo CA . Foi com muito prazer que recordei, à boleia deste seu excelente post , os conceitos básicos e fundamentais que caracterizam a GNR, tantas vezes esquecidos, ou adulterados, por quem não os deveria esquecer. Associo-me, naturalmente, à homenagem que presta ao Cor. Coelho, há dias falecido. Era um "rapaz" do meu tempo e bom amigo.


De Zé Guita a 30 de Janeiro de 2007 às 06:08
E que tal desenvolver esforços para que a Revista da Guarda promova uma edição em livro dos contos "institucionais" da autoria do Coronel Almeida Coelho, dispersos na mesma Revista?!
Seria a materialização de uma homenagem colectiva e a passagem de testemunho às gerações mais novas.
Zé Guita solicita apoio.


De aclourencosilva@gmail.com a 29 de Janeiro de 2007 às 17:40
A caracterização que é(bem) feita da Guarda,é, afinal o suporte de toda a sua doutrina e devia integrar os conhecimentos básicos de quem tem a responsabilidade política da sua tutela.Infelizmente,assim não é e,pior ainda,quando a esta comprensivel mas indesculpável ignorância se junta uma dose de auto-suficiência que tudo "resolve",há que,fundamentadamente,temer o caos.
Alguns passos anteriores,dados por governos da mesma matriz,designadamente a abolição do Regulamento de Disciplina Militar e do Código de Justiça Militar,na Guarda,indiciavam já um propósito de destruição ou, no mínimo,de descaracterização deste Corpo Militar. Tudo isto,já de si,seria extremamente grave mas assume consequências ainda mais desastrosas quando encontra acolhimento no interior da própria Guarda,junto das mais altas chefias,que, muitas vezes, mais preocupadas com projectos de ambição pessoal do que com o conhecimento aprofundado e sentido da Instituição,delegam nas mãos de meia dúzia de jovens turcos "iluminados"os estudos e consequentes propostas.
É indiscutivel que a Guarda carece de ser reformulada,mas não se confunda reformulação com DESTRUIÇÃO.Os Portugueses devem-lhe demasiado para que o possam tolerar pacificamente,mesmo que as medidas que ai vêm estejam eivadas das melhores "intenções".
Há matéria de boa qualidade em parte dos estudos feitos,exteriores à Guarda,muito embora se dssociem,com frequência,da realidade.Aproveitá-los
e completá-los com o"saber de experiência feito"é fundamental para se chegar a soluções equilibradas.
Ao Governo fica uma sugestâo:se no domínio da Justiça foi alcançado um pacto de entendimento com a Oposição,por que não seguir o mesmo caminho para a reestruturação das Forças de Segurança,v.g.da Guarda?A iniciativa não seria inédita,revelaria inteligência e obstava a consequências futuras irreversiveis.
Para já ,fica este contributo.Em breve voltarei.


De jeremias, o fora da lei a 29 de Janeiro de 2007 às 22:16
Se há pessoas que têm dificuldade em viver em democracia, o senhor do comentário anterior é um deles.
Na GNR, para além de um herdeiro que é uma joia de moço,não deixou marca se veja!
Sabe, senhor anterior, o RDM e o CGM, era de aplicação geral a oficiais, sargentos e praças, viu?
Como só se aplicavam a uns e não a todos foram extintos!
Olhe, sabe uma coisa: eu acho que a vergonha que se abateu sobre a BT há cerca de quatro/cinco anos, teve dois principais culpados; o senhor e aquele ex-comando, que em tempos comandou a Companhia Móvel da PSP, que por omissão deixaram acontecer o que aconteceu.
Passe bem!


De Zé Guita a 29 de Janeiro de 2007 às 22:36
Para Jeremias, o fora da lei:
Agradeço que mantenha os seus comentários afastados de referências pessoais, que só servem para diminuir o nível da discussão.
Pretende-se um debate de ideias, não confrontos pessoais.
Sugiro que leia o comentário que lhe dirigi na Toca do Túlio.


De Zé Guita a 2 de Fevereiro de 2007 às 19:34
Caro Lourenço da Silva

Concordo com o perigo tremendo que é a auto-suficiência .
Sobretudo, preocupa-me que soluções apressadas pelo clima da conjuntura política possam levar a erros que provoquem caos.
São necessárias reformas, mas têm de ser muito cuidadosas.
Grato pelo comentário e venham mais, no sentido da harmonia.


De Paulo sempre a 3 de Fevereiro de 2007 às 16:30
Há coisas que "sangram" em paradoxos antigos...
Há, por outro lado, a esperança.


De piratadasbarlengas a 1 de Fevereiro de 2007 às 12:14
Caro Amigo,

Apesar de não vir ainda hoje comentar (por andar a navegar) estes seus posts que requerem uma leitura mais pormenorizada, convido-o a fazer uma visita à "Península Encantada".

Estamos todos a começar (ou a continuar) a navegar.

O Pirata


De Zé Guita a 1 de Fevereiro de 2007 às 13:11
Caro Pirata (ou será antes corsário?)
É muito bem-vindo e fico grato pelos seus comentários, que prevejo serão ricos - e hão-de aquecer a alma aqui do Zé para ter melhores voos - e virão como valor acrescentado.
Insisto na imagem da "orquestra": é composta por vários naipes, com instrumentos diferentes, mas todos procurando afinar por uma partitura que pretende atingir uma audiência de modo harmonioso.
Afinemos os instrumentos. Por mim, terei gosto em apreciar também a sua execução.


De Ferrão a 7 de Fevereiro de 2007 às 16:07
A questão principal é que não é nada fácil afinar todos os instrumentos dentro de um mesmo naipe, quanto mais dentro de uma orquestra composta por diversos naipes.. talvez um maestro com capacidades fora de série torne isso possível algum dia.. Grande abraço


De Zé Guita a 7 de Fevereiro de 2007 às 17:53
Caro Ferrão
Há muitas orquestras a funcionar bem. Caso contrário não haveria concertos nem poderíamos ouvir belas sinfonias.
Produto de muitos executantes conduzidos por maestros capazes. Fruto de muita disciplina, largo trabalho e um toque de arte.
De um grupo de músicos nasce e afina-se uma orquestra. A maioria do pessoal da Guarda é constituída por bons músicos. E já o tem demonstrado bastas vezes, executando concertos de alta qualidade artística.
Haja fé!


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