Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007

O PATRULHEIRO

Um tribunal, antes de decidir, ouve e avalia cuidadosamente tudo e todos... demoradamente, por vezes ao longo de anos...

Uma inspecção, antes de concluir, analisa e avalia pormenorizadamente os elementos disponíveis...

Um comandante não está sempre presente no local da acção nem contactável em tempo útil para dar ordens...

Um magistrado ou um advogado, antes de emitirem parecer, estudam atentamente a legislação aplicável ao caso...

Um guarda patrulheiro, verdadeiro especialista em policiamento de proximidade, numa ocorrência grave ou numa  situação de violência inopinada, não tem tempo para consultar legislação nem superior que lhe valha; regra geral está entregue a si próprio e tem que decidir e agir no momento, em interacção e sujeito aos imponderáveis do acaso.

Sem dúvida, os Direitos Humanos são para conhecer e respeitar. É claro que deve ter formação e treino para, se necessário, usar meios coercivos quanto baste para impor a ordem nos termos da Lei. É evidente que por vezes há erros e falhas na actuação, que têm de ser corrigidos e sancionados, não necessariamente na praça pública. Mas quem anda à chuva molha-se! Decerto que o guarda deve ter como modelo o super (homem) polícia. Mas também é verdade que errar é humano e, por enquanto, ainda é importante não meter no mesmo saco o polícia que erra por falha não desejada e o delinquente que age deliberadamente por dolo. E há que não embarcar no confusionismo de ver no delinquente uma víctima e no polícia um carrasco. A continuar por aqui, passamos a viver na lei da selva!

publicado por Zé Guita às 09:52
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8 comentários:
De Eira-Velha a 21 de Dezembro de 2007 às 14:25
Não poderia estar mais de acordo, Professor. no entanto, o patrulheiro continua a ser o "mal-amado", o "patinho feio", ainda mais tendo em consideração que para essas funções genéricas apenas subsistem os que não são escolhidos para as especialidades. E se a especialização é uma aposta ganha, muito há a fazer em relação ao patrulheiro, cujo papel é, de longe, o mais importante de todos.
Um abraço e votos de Boas Festas.


De Zé Guita a 21 de Dezembro de 2007 às 16:21
Caro Eira-Velha
O patinho, mesmo feio, tem dado à Guarda e aos cidadãos muito mais do que se imagina. E muito mais e melhor pode e deve vir a dar.
No meu entender, há que dotar os patrulheiros com formação e meios cada vez mais orientados para fazer deles, polivalentes, pau para toda a obra, autênticos especialistas do policiamento de proximidade.
A sua dignidade deve ser preservada e colocada em relevo. Sem eles a Guarda cairia no vazio.

Saudações


De Mário Relvas a 21 de Dezembro de 2007 às 23:55
Adeus policiamento de proximidade

Li a reportagem na revista Notícias Magazine, que acompanhava o JN de domingo, denominada “Nas Ruas com a PSP”. É bom que nos preocupemos com os elementos policiais, com a sua socialização e integração, mas esperava mais desta reportagem. Por isso, deixo aqui, alguns pontos de vista pessoais.

Os agentes que chegam a Lisboa, vindos da EPP – Escola Prática de Polícia, não sabem nada de polícia real, nem da sociedade que irão encontrar. Teoria e boa vontade são as suas armas. Seguem-se uns dias, poucos, em que acompanham outros mais velhos na profissão.

Os oficiais formados no ISCPSI – Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, pouca ou nenhuma formação operacional têm –in loco- durante os anos que passam naquele instituto. Fazem no fim do curso um ano de estágio no “comando” de uma esquadra ou equiparado.

Seria bom que os cursos da EPP e ISCPSI tivessem uma componente operacional, real, e nas diversas áreas para que são formados os polícias.

As camaratas policiais estão em extinção nos diversos comandos de polícia. As messes policiais, onde a refeição é mais acessível, são fechadas.

O crime aumenta e os agentes fardados diminuem. O policiamento de proximidade (prevenção) sofre abalos por falta de agentes nas esquadras. É preciso lembrar a população em geral, os responsáveis da tutela em particular, que cerca de mil homens que servem nas polícias municipais de Lisboa e Porto não fazem serviço de policiamento normal, estão ao serviço camarário e até recebem um suplemento monetário, pelo destacamento. Não se compreende que hajam no país polícias municipais próprias - bem ou mal formadas é outra questão - e existam estes elementos da PSP presos a estas duas câmaras municipais. Lembro também que os mais de mil elementos que estão ao serviço nas EIC e DIC – Esquadras e Divisões de Investigação Criminal, onde como investigadores trajam civilmente, foram retirados aos efectivos das esquadras. As centenas de agentes que estão no Corpo de Segurança Pessoal, que protegem e bem, os responsáveis do país e outros, não fazem serviço de polícia normal. Os que pertencem às BIR – Brigada de Intervenção Rápida, vieram também das esquadras. Os que pertencem ao dispositivo da Escola Segura vieram das Esquadras. E diz o responsável da tutela que o efectivo não diminuiu. Que existem muitos polícias (existiram sempre e são necessários) em serviço interno, ou burocrático.

Se tivermos em conta os que estão de baixa prolongada, os que estão suspensos, os que estão na pré-reforma e os que se reformam todos os anos, com a dispersão de tarefas e com o mesmo número de agentes (menos por sinal) que anteriormente, com a suspensão de cursos de formação anunciado pela tutela, como pode esta falar em efectivos como nunca houve nos últimos dez anos?

Aproveito para desejar a todos os elementos de todas as forças policiais e de investigação, um Feliz Natal e um ano de 2008 mais seguro e mais justo.

Para si também caro Zé Guita, com amizade virtual e profissional!

MAMA SUME!!


De Mário Relvas a 23 de Dezembro de 2007 às 18:34
O patrulheiro agora foge...

Há dias em Vila Praia de Âncora procurei um elemento policial (GNR) para lhe perguntar onde ficava uma rua onde me esperavam. Não vi nenhum. A rua onde circulava era a mais central de um só sentido e que permite apenas a passagem de um carro. Como não vi patrulheiro algum, parei o carro de forma a passarem as viaturas que circulavam naquela via e liguei os 4 piscas. Em consciência parei o carro numa zona reservada a táxis que se encontrava completamente desocupada. REPITO -o meu objectivo era perguntar a um transeunte pela rua sem prejudicar o trânsito. Andei dez metros e estou a falar com uma senhora que me diz: Olhe a rua é esta, mas tem que entrar pela marginal...Olhe a GNR esta a retirar o nº da sua matrícula...
Virei-me e dirigi-me para o carro. Lá seguiu o jipe sem ter possibilidade de falar com o autuante. Dirigi-me então ao posto de Vila Praia de Âncora onde um soldado da gurada me abriu a porta "FECHADA" e ouviu a minha justificação sem interesse dizendo que aquele posto não tinha jipes, pelo que deveria ser da Brigada Fiscal. Achei que não e pedi-lhe para transmitir ao elemento autuante os factos. Ele disse que sim... e eu disse: não fica com os meus dados?
Lá apontou o 1º e último nome num caderno que se encontrava em cima da mesa da entrada!

Eu vim-me embora. A semana passada recebo o auto de contra-ordenação e sem fugir com a minha responsabilidade, liguei telefonicamente para o posto. Curiosamente atendeu-me o cabo autuante que sempre era do posto e que disse não lhe ter sido transmitido nada, pelo seu colega!

Enfim, sem querer fazer juízos de valor, paguei os 60E imediatamente no multibanco ( o país precisa de dinheiro) e resolvi não me aborrecer mais com aquilo.

O cabo também me disse que não colocam talões nos carros autuados. Que agora era assim!...

Bem, eu chamar-lhe-ia outra coisa, mas fico-me pelo espanto com tanta incompetência!

Vem isto a propósito da falta de patrulheiros e qd aparecem sentados numa alcofa móvel nem param para interpelar os cidadãos. Multam de longe e fogem!

Assim não.


De Zé Guita a 23 de Dezembro de 2007 às 19:13
Caro Mário Relvas
É sabido que algo vai mal no reino...
Ser ou não ser, eis a questão. Mas para ser é preciso conhecimento mais discernimento, os quais estão em crise. A motivação também já conheceu melhores dias... Nada disto, porém, é aceitável. O patrulheiro não pode ser feito à pressa nem de qualquer maneira...
Faço votos para que alguém directamente relacionado com o episódio, e não só, leia o seu relato e tire as devidas consequências.

Agradeço a franqueza do seu desabafo e faço votos
para que este Natal lhe dê, a si e aos seus muito em especial, as compensações que bem merecem.

Saudações


De Afonso a 19 de Março de 2010 às 12:21
Sou militar da GNR, e comandante de homens.
Apesar de não ter qualquer ligação a esse posto, após ler o seu comentário em jeito de desabafo, senti-me compelido a transmitir o seguinte feedback.
Quanto ao estacionamento, compreendo o motivo que alegou e, mesmo sendo verídica a situação, a verdade é que estava em infracção. O guarda só cumpriu o seu dever. Quanto a não deixar qualquer papel ou aviso, é verdade, pois não é permitido. Portanto, não vejo até aqui qualquer motivo para adjectivar o caso como incompetência. Diria sim, que ao usar tal palavra está somente a demonstrar que ficou afectado pela autuação, e demonstra fraqueza de atitude ao optar por o que eu chamo de simples "insulto". Nada mais é pois de incompetência o serviço desse militar não teve nada.
Há uma conformismo generalizado na maioria (nem todos) dos cidadãos, de testar a sorte, expondo-se a infracções que são desnecessárias. Não vêem a autoridade, então pegam o telemóvel a conduzir, estacionam em local proibido quando a 20 metros tinham parque, conduzem com álcool porque àquela hora da madrugada não há ninguém na rua,... enfim é um infindável rol de casos. Ora, os agentes na rua sabem perfeitamente como funciona a sociedade, pois são profissionais que todos os dias batem as ruas durante horas. Sabem como tudo funciona, pois também são cidadãos, uns mais cumpridores do que outros. No seu caso, o guarda, ainda que falasse consigo e obtivesse se si naquele momento a sua justificação, poderia levantar o auto na mesma, pois é uma constante nessas situações as pessoas se justificarem de mil e uma maneiras. Algumas, são sinceras e o motivo é plausível, mas outras mentem (sim, mentem) descaradamente para evitar serem autuadas.
O guarda que autuou, repito, esteve bem.
Quanto ao atendimento de que foi alvo no posto, aí, e analisando factualmente o que aqui transmitiu, seria efectivamente merecedor de melhoria quanto à abordagem realizada.
Um conselho: não se exponha ao ilícito, não espere compreensão por uma justificação de onde por norma só advém falsidade.


De Zé Tavares a 29 de Dezembro de 2007 às 17:14
Meu Caro Sr.
Li o seu relato e fiquei indignado. E sabe porquê? Por que nada disto é ensinado a estes homens. Ou pelo menos não era. Infelizmente é o que há. Tal como escreveu o Zé Guita tenhamos esperança de que alguém com bom senso leia o seu relato e actue. Pelo menos para futuro, já que anular o auto agora me parece pouco provável . Isto demonstra desleixo, falta de instrução e comandantes à altura. Mama Sumae.Tavares


De A. João Soares a 24 de Dezembro de 2007 às 07:50
Erros são inevitáveis num ser humano, segundo um vellho ditado. Mas deve haver sempre a preocupação de evitar prejuízos para a sociedade em geral. Manter, deve ser interpretado como garantir as condições para cada um viver em liberdade (não é libertinagem) e não fazer caça à multa pelas mínimas coisas. Evitar o crime e as contraordenações é mais salutar do que multar pelas infracções.
Estou a pensar no bloqueio de carros mal estacionados que acaba por se traduzir no prolongamento da permanência do caro num local em que , pelo menos teoricamente, causa prejuízos a terceiros.
Há muita coisa sem senso nem racionalidade nas actuações policiais, que nem sempre se traduzem numa finalidade de benefício para as populações, mas sim de autoritarismo e vingança . Houve um responsável no MAI que disse que os polícias vêm o povo como inimigo, e, se nem sempre assim é, isso acontece muitas vezes.
Desejo Boas Festas e um 2008 com mais civismo das populações para melhor actuação das autoridades policiais. Há uma interacção viva entre uns e outros. Se o povo não se comporta com civismo, os polícias são tentados a exagerar. Errar é humano!
Abraço com melhores votos de Boas Festas
João


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