Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

A VIVÊNCIA DO GUARDA-GENDARME

 

Do post "O Modelo Gendármico da GNR", de 28 de Dezembro p.p., ficou a interrogação:

Quem são, como vivem e trabalham esses "servidores da ordem, receados e respeitados, que desempenham tarefas cada vez mais diversas e complexas"? 

 

          A instituição corpo militar de polícia, a organização GNR  e a profissão Guarda submetem os seus militares a um duro conjunto de regras presididas pelos valores já referidos. Tudo isto numa sociedade em que predominam o individualismo, o relativismo, o hedonismo, o materialismo, os excessos de liberdade...  O choque de valores é gritante e evidencia a nobreza daqueles que, em conformidade com o dizer de Platão, conseguem alhear-se do brilho da cidade, para serem acima de tudo "guardas da cidade", concentrando e conservando na alma o ouro e a prata "que receberam dos deuses".

          A questão "como vivem e trabalham os guardas" é particularmente afectada pelo facto de, atenta a necessidade de manterem disponibilidade e prontidão para o serviço, estarem obrigados a terem alojamento em quarteis ou na sua proximidade imediata. 

          A vivência de quartel afecta tradicionalmente o modo de vida dos guardas, caracterisando-os como um grupo social específico, parte integrante da própria Organização, permitindo um maior controlo social interno e  dando origem a uma fortíssima interacção nas esferas da vida privada e da actuação profissional. O guarda em família ou na rua, mesmo trajando à civil, não deixa de ser guarda, "está sempre de serviço".

          A vida típica de quartel, se bem que permitindo avaliação menos positiva por poder facilitar um "ambiente caserneiro", é um factor fundamental de eficácia, uma vez que proporciona disponibilidade e prontidão aliadas a um forte espírito de solidariedade. Tudo favorecendo a coesão do grupo, a lealdade profissional e o espírito castrense. No caso das habitações de função e das anexas aos quarteis em bairros institucionais, para além das vantagens organizacionais há que ter em conta a obrigatória submissão das famílias a um ambiente militar muito regulamentado, algo fechado. A família do guarda não goza de anonimato, é sempre "da Guarda".  

          Outro aspecto que muito afecta a vida dos guardas é a grande mobilidade geográfica que lhes é imposta e que muito pesa sobretudo em termos familiares, obrigando ora a prolongado afastamento da família ora a obrigatórias deslocalizações da mesma. Isto torna-se especialmente pesado quando põe em causa a estabilidade familiar, quer porque afecta a profissão do conjuge quer porque implica com a escolaridade dos filhos.       

           É facto que a dedicação, a disponibilidade e o espírito de sacrifício dos profissionais têm convivido harmoniosamente com o racionamento típico da "marmita" militar. Mas não pode ser ignorada nem menosprezada a realidade,  que consiste numa progressiva tomada de consciência da cada vez maior desproporção entre o conjunto da dupla servidão gendármica (militar e policial) e  o quadro das retribuições materiais compensatórias. Já Platão ensinava que aos guardas da cidade deve ser prorcionado "salário da guarda que asseguram, em quantidade suficiente... de modo a não sobrar e a não faltar".   

 

            

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publicado por Zé Guita às 10:33
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