Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

PATRULHEIRO SOFRE...

Nem todos os olhos vêem do mesmo modo...

E óculos há diversos, alguns dos quais distorcem a realidade...

Olhares...

 

 

 

Limpeza étnica

 

Limpeza étnica

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter.

"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.

 

 

13 Agosto 2008 - 00h30
 

Bilhete postal

Já é demais

Após uma polémica pueril acerca dos eventuais excessos policiais na neutralização do sequestro do BES – um tema em que a teoria nunca casará com a prática –, a família do menor de 13 anos que morreu durante uma perseguição da GNR vai a tribunal para ser indemnizada.

 Ou seja: uns senhores resolvem fazer um assalto em pleno dia, a GNR apanha-os em flagrante, estes põem-se em fuga, tentam atropelar um dos militares que se salvou por pouco, desobedecem às ordens de paragem, tudo isto com um menor dentro da carrinha.

As autoridades tentam imobilizar o veículo disparando para os pneus, mas um dos tiros acertou num dos passageiros que era menor. Agora os familiares culpam a GNR pela desgraça. O pai que levou a criança para o assalto, esse, deve ser um santo.

 

Carlos Abreu Amorim, professor universitário

 

publicado por Zé Guita às 21:56
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3 comentários:
De MR a 25 de Agosto de 2008 às 22:12
UM POVO IMBECILIZADO E RESIGNADO...

"Um povo imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião,
um mostrar de dentes,
a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas
é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante,
não se lembrando nem donde vem,
nem onde está,
nem para onde vai;
um povo, enfim,
que eu adoro,
porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso
da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro
de lagoa morta (...) Uma burguesia,
cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal,
sem palavras,
sem vergonha,
sem carácter,
havendo homens
que, honrados (?) na vida íntima,
descambam na vida pública
em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,
da mentira à falsificação,
da violência ao roubo,
donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...) Um poder legislativo,
esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto
pela abdicação unânime do país,
e exercido ao acaso da herança,
pelo primeiro que sai dum ventre
- como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara
ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (...),
sem ideias,
sem planos,
sem convicções,
incapazes (...)
vivendo ambos do mesmo utilitarismo
céptico e pervertido, análogos nas palavras,
idênticos nos actos,
iguais um ao outro
como duas metades do mesmo zero,
e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)"

Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896


De Mário Relvas a 29 de Agosto de 2008 às 01:33
A Insegurança em Portugal

Perante os casos de violência, a que todos temos assistido em Portugal, esperavam-se mudanças radicais na estratégia do governo da república. Escutada a "Grande Entrevista" do Ministro da Administração Interna Dr. Rui Pereira, na RTP, verifiquei que, de novo, só algo velho. O recuo na lei, de modo a deter e prender preventivamente os autores de crimes com armas de fogo. Só nestes casos. A lei que está em vigor, levada ao parlamento pelo Governo, nomeadamente pelo Ministro da Justiça Dr. Alberto Costa, é da autoria do Dr. Rui Pereira, antes deste assumir o lugar deixado vago no MAI. Alterou-se a lei; prisão preventiva para os crimes puníveis com pena de prisão superior a cinco anos. Antes era de três anos. Agora faz-se um ajuste à lei, de novo. Recua-se apenas e só nos incidentes criminais que envolvam armas de fogo, passando a aplicar a preventiva, de novo, para os crimes puníveis com pena de prisão superior a três anos. Não foi focada a pequena criminalidade que aumenta diariamente e que não tem os holofotes da comunicação social. É tão banal que já ninguém lhe liga. Os cidadãos já não participam tanto os pequenos crimes, às autoridades, como anteriormente. Estão cansados da burocracia e do consequente arquivo. Muitos cidadãos participam apenas os crimes de que são alvo, quando é necessário apresentar uma declaração policial da ocorrência, exigida pelas seguradoras. Isto é um facto que cada um poderá constatar na sua área de residência, quando fala com os seus vizinhos, ou amigos. Defendo que se deve apresentar sempre a respectiva queixa. Quanto mais não seja, para tornar as estimativas criminais mais realistas.

Perante a pergunta que Judite de Sousa lhe colocou, durante a entrevista, sobre o défice do efectivo das forças de segurança, o Sr. Ministro argumentou que vão admitir mais um alistamento para a GNR e outro para a PSP, até final da legislatura. Cerca de dois mil homens. Disse ainda que a entrada destes elementos supriria o número dos que se reformam. Dou esta de barato ao senhor ministro, mas é preciso explicar aos portugueses que, efectivamente, os elementos não chegam para o policiamento de proximidade que o Sr. Dr. Rui Pereira diz defender, e que eu defendo como absoluta necessidade de prevenção. É preciso dizer aos portugueses que os elementos que compõem as DIC e EIC – Divisões e Esquadras de Investigação Criminal-, bem como os SIR e BIR – Secção e Brigada de Intervenção Rápida- vieram dos efectivos das esquadras da PSP e não foram substituídos por novos elementos. O mesmo se passou na GNR. Eram estes que faziam o policiamento de proximidade.

Fiquei a saber, que o governo continua com a intenção de colocar os civis excedentários dos outros ministérios, nas Forças de Segurança. Será que estes dispensados, serão as pessoas indicadas para colocar em local tão sigiloso e exigente como as forças de segurança? Já o escrevi e refiro-o de novo: As FS não podem ser depósito de dispensados. Ao contrário, têm que ser criteriosamente seleccionados os elementos para tais funções. Porque não abrir um quadro policial de serviços internos?

Sobre a nova Lei de Segurança Interna, sou dos que defendi a criação de uma estrutura que torne mais ágil as informações e competências entre as várias forças de segurança e de investigação. Que articule em simultâneo a segurança interna e a externa. Se o serviço de informações militar passa para as mãos de quem terá a responsabilidade de ocupar o cargo de secretário-geral, na dependência directa do Sr. Primeiro-Ministro José Sócrates, os militares estarão a aguardar, com alguma expectativa, o nome do nomeado.

Desejo vivamente que as polícias estejam com o grau de prontidão e satisfação que o ministro referiu na entrevista. Confio neles, mas espero poder confiar nas leis que nos regem. Uma justiça célere e que puna os criminosos. Aí é que bate o ponto.


De Pneus Baratos a 2 de Março de 2010 às 15:25
Os oculos vêm o que querem ver... infelizmente em Portugal é cada vez mais uma realidade ...


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