Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

INTERROGAÇÕES E CONVICÇÕES

Convite  à  leitura e à meditação em torno de algumas interrogações e de certas convicções.

 

1. Postal publicado aqui no Securitas em 16 de Dezembro de 2008:

 

FORÇA PÚBLICA E INTERROGAÇÕES

          As televisões, nestes últimos dias, têm insistentemente mostrado ao mundo imagens dos acontecimentos na Grécia: a morte de um adolescente que apedrejava um carro policial, causada por um tiro da polícia. ao reagir ao apedrejamento, terá sido pretexto para originar grandes e continuadas manifestações, num crescendo de violência e vandalismo. Distúrbios alastrados a várias áreas do País  em questão e logo mimeticamente repetidos noutros Estados da União Europeia.

            Alguma reflexão sobre tais imagens, para além de ter em conta a normal contenção operacional da força pública e  que os acontecimentos em causa podem corresponder ao eclodir de uma situação social explosiva, permite deduzir que as mesmas contêm - com ou sem intenção -  mensagens verdadeiramente mobilizadoras para o desacato: 

- aos desordeiros tudo é consentido, desde o apedrejamento à destruição indiscriminada de bens até ao "inocente" lançamento de coqueteiles molotov sobre agentes policiais;

- a força pública encontra-se manietada por directivas que a impedem de ser violenta, isto é, de usar a força;

- uma força pública que quando atacada não reage perde eficácia;

- um governo fraco, desacreditado, receoso aniquila a autoridade do Estado e demonstra a debilidade da sociedade;

- o governo só governa quando lhe obedecem;

- o agravamento das crises  económicas e sociais justifica o caos nas ruas...

 

              Interrogações a meditar:

- No desafio da desobediência civil e da revolta dos fracos  contra a força pública vale tudo?

- Trata-se de manifestar descontentamento ou de guerra civil?

- Uma força pública atacada à pedrada só pode responder com pedras?

- Uma força pública atacada com coqueteiles molotov pode reagir com meios iguais?

-  Para que serve a força pública?

-  A revolta social justifica a impunidade?

- Uma força pública meramente passiva consegue alguma eficácia?

- Face às crises financeira, económica e social, a desobediência civil e a revolta nas ruas vâo alastrar?

- Mal amadas e caso se encontrem desapoiadas pelo poder político democrático, quais serão as tendências possíveis das forças públicas no terreno?

- Há entre nós alguns sinais de alerta, indicadores de estarmos a caminho de revolta nas ruas? 

          

2. Postal publicado no Policíadas em 10 de Maio de 2009, que se transcreve com a devida vénia:

 

ESTA DESORDEM

 

Afinal começa a ser cá dentro! E, como sempre, toda a gente quer dar opinião. Começa-se a ouvir tudo de todos. Desde o cidadão anónimo (normalmente o mais sensível aos efeitos da desinformação) aos doutores, todos produzem a sua opinião. Todos traçam o seu cenário. Independentemente de todas as "verdades" produzidas, dá-nos sempre a sensação de que ninguém vai realmente ao fundo da questão, que ninguém questiona o que realmente está por detrás desta erupção de problemas que se registam no Bairro da Bela Vista. Quanto a nós a pergunta chave é a seguinte: A quem serve esta desordem? Só pode servir aos marginais, criminosos, traficantes e todos aqueles que querem demonstrar entre portas (leia-se, o próprio bairro) que podem controlar o bairro. Esta desordem serve como banco de ensaio para algo que está para acontecer efectivamente. Desordens como esta, têm demonstrado até que nível se pode chegar com uns "fogachos": 1.º Ministro falou, Ministro da Administração Interna falou, Governadora de Setúbal falou e o Director Nacional da Polícia... concordou.

Esta desordem, este incidente (é bom recordar que desta vez o assunto não foi por causa da PSP ter morto ninguém, mas disso ninguém fala, vá-se lá saber porquê) deveria ser gerido publicamente com um Porta-Voz Policial e nada mais. Atenção que se disse, repete-se, deveria ser gerido públicamente, por um Porta-Voz Policial e não com a presença dos mais altos representantes políticos no terreno.
Elevar a fasquia política tal como feita, mais do que um erro, é um erro estúpido, pois não se está a valorar correctamente o caso, mas sim a valorizar exponencialmente os estrategas da desordem!
Toda a gente fala que aquele bairro tem graves problemas sociais, mas a crise que se vive é policial. É neste âmbito que tem que começar a ser resolvida. A Polícia, ou qualquer outra força de segurança, tem que ter a oportunidade de gerir efectivamente a crise. Tem que haver sinais claros que os actos criminosos têm consequências e que os actos policiais têm a correspondente resposta dos Tribunais. Mas pelos vistos, infelizmente, a Magistratura Portuguesa mora noutro país (ou pelo menos noutro bairro) pois não adianta apresentar em tribunal qualquer indivíduo que tenha sido detido pela sua participação na desordem, sem que este seja imediatamente solto!
Concluindo: o teste em Lisboa já lá vai, o de Setúbal em realização.
À 3ª será de vez?

 

 

3. COMENTÁRIO  do Zé Guita ao segundo postal:
Excelente!
Até que enfim, uma visão correcta da ameaça, que está mais do que bem desenhada, e uma postura adequada quanto ao empenhamento das hierarquias "falantes".
Falar menos e agir mais, ensina a prática.
Resguardar o comandante, que não deve empenhar-se directamente em primeira linha; uma vez empenhados os primeiros responsáveis esgota-se a hierarquia.
A comunicação é importante, mas deve ser muito bem controlada. É necessário estabelecer a prioridade operacional e não a do "Estado espectáculo".
As operações implicam muito mais do que apenas a Belavista.
Força PSP!!! são os votos do Zé Guita
.
 

 

sinto-me: convicto
publicado por Zé Guita às 09:25
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2 comentários:
De Zé da Burra o Alentejano a 11 de Maio de 2009 às 15:23
OS BANDOS DOMINAM NOS BAIRROS SOCIAIS

Os partidos de esquerda desculpam sistematicamente a criminalidade com o a pobreza e o desemprego. Parece terem receio de uma atitude mais enérgica na luta contra o crime. Será que ficaram traumatizados desde os tempos do fascismo? Esta postura está a desorientar o seu próprio eleitorado natural: os mais pobres que são também os mais desprotegidos face à criminalidade. Assim, os partidos de esquerda têm muita responsabilidade relativamente ao crescimento da extrema direita que tem um discurso bem mais sensato sobre o combate crime. Barack Obama que prometeu ser implacável no combate ao crime e defender ao mesmo tempo os mais desfavorecidos. Não me parece que isso seja incompatível.

Todos os dias vemos fechar Empresas jogando muita gente no desemprego e na pobreza. Frequentemente, ficam muitos meses de salários por pagar, levando essas pessoas a uma situação de desespero. Se fosse esse o motivo dos desacatos que se têm visto nos bairros sociais, então eles aconteceriam preferencialmente nas manifestações junto aos antigos locais de trabalho, onde se aglomeram muitas pessoas na mesma situação.
Não! o que se viu no Bairro da Bela Vista foi a homenagem a um criminoso abatido em flagrante pela polícia, numa atitude de desafio à própria polícia como que para testar a sua capacidade de reacção e para uma demonstração de força no bairro.

Há 50 anos a pobreza em Portugal não era menor que a de hoje e a criminalidade violenta era praticamente inexistente. Se mais pobreza implicasse mais criminalidade, então não teria sido assim. As estatísticas nem reflectem a nossa realidade porque muitas vítimas já nem se queixam porque sabem que os criminosos são rapidamente postos em liberdade, mesmo quando são capturados e depois ficam sujeitos a represálias. Mela mesma razão, vítimas e testemunhas escondem a face quando são entrevistadas pela televisão.

Já há algum tempo um Mayor de Nova Iorque decidiu que não se deveria menosprezar a pequena criminalidade nem os pequenos delitos, porque a sensação de impunidade se instala nos jovens delinquentes, estes vão facilmente progredindo para infracções cada vez mais graves até que a situação se torna incontrolável. Implementou então a célebre "Tolerância Zero" que, como se sabe, deu óptimos resultados, reduzindo num só ano a criminalidade em Nova Iorque em cerca de metade.

A actual política portuguesa de manter na rua os criminosos, mesmo depois de várias reincidências, faz (como dizia o Mayor ) crescer a sensação de impunidade: o criminoso continua com as suas actividades criminais, vai subindo o nível dos seus delitos e serve de exemplo para que outros delinquentes mais jovens sigam o mesmo caminho.

Mas existem muitas pessoas trabalhadoras e humildes nos bairros sociais que não levantam problemas e que só desejam que os deixem viver em paz, o que não acontece, porque estão reféns dos bandos de criminosos que dominam nesses bairros. Não se pode contar com essas pessoas para testemunharem qualquer acto criminoso a que assistam porque têm medo, medo de represálias porque não se sentem convenientemente protegidas pela polícia que também não pode estar sempre presente. Lembra as favelas brasileiras...só que no Brasil polícia e militares juntam esforços para combater o domínio dos bandos nas favelas e tem havido baixas parte a parte mas a polícia começa a chegar onde antes não se aventurava. Por cá, enquanto o crime cresce e toma posições de domínio, a polícia, apesar de vontade, nada pode fazer porque lhe falta a autoridade. Entretanto, Governo, Partidos, e outras organizações não compreendem o que se está a passar e fazem conjecturas absurdas sobre o motivo dos desacatos que é por demais evidente. Será que temos que cair no fundo?

Zé da Burra o Alentejano


De Zé Guita a 11 de Maio de 2009 às 18:15
Bravo, Zé da Burra O Alentejano!

Obrigado pela ajuda , muito rica em esclarecimentos.
Pode ser que as "vozes que clamam no deserto" levem a acordar e agir quem tem poder para promover legislação capaz, facultar a eficácia do poder judiciário e dar autoridade às forças de segurança.
Pode ser que ainda se vá a tempo de evitar que copiemos o Brasil, onde os bandos criminosos enfrentam abertamente a polícia nas ruas, de armas na mão.
Pode ser que não se venha a chegar ao recurso de uso das armas pelos cidadãos pacíficos.
Pode ser que alguns polícias em desespero e na procura de eficácia não venham a copiar os "esquadrões da morte" brasileiros.

As "vozes no deserto" não podem desistir de clamar.
Venha mais! Zé da Burra O Alentejano.
Abraço do Zé Guita


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