Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

FOLHEANDO - IV

   

Os portugueses e a espiritualidade

 

            Admitida toda uma série de indícios que dão corpo à hipótese de a espiritualidade exercer influência nos indivíduos e nos povos, ganha forma a pergunta sobre como se expressa tal característica no povo português.

            Persiste ainda hoje a milenar definição do general romano relativa aos nossos ancestrais lusitanos, “um povo estranho, que não se governa nem se deixa governar”. Internacionalmente reconhecidos como bons trabalhadores fora do País, os portugueses são frequentemente apontados como imaginativos, improvisadores, desembaraçados, com forte tendência para preferirem o “desenrascanço” ao trabalho organizado.

            Na tentativa de estabelecer uma base para abordar a questão, caminhemos como ensinou São Paulo - Soprando as cinzas, é possível reacender o fogo! – e procure-se uma orientação do percurso continuando a folhear.

A mensagem do milagre de Ourique

A ideia de milagre ligado à batalha de Ourique, no início da nacionalidade, serviu de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção directa de Cristo era a prova da existência de um Portugal independente e eterno por vontade divina.

Segundo a lenda, D. Afonso Henriques teve uma visão de Jesus Cristo, garantindo-lhe a vitória em combate e anunciando intenções divinas quanto ao futuro da sua descendência.

Este acontecimento marcou o imaginário português, sendo relatado nas crónicas ao tempo de D. Duarte, narrado o milagre por Camões no canto III dos Lusíadas (“o Filho de Maria, amostrando-se a Afonso, o animava”), até ao ponto de ainda hoje estar retratado na bandeira Nacional.

 

O milagre de Ourique é interpretado como sendo um mito nacional de sobrevivência, que terá obtido o estatuto de memória invisível e evidente, construtora da própria identidade nacional. Pode concluir-se que é a partir de acumular o imaginário que as comunidades acabam por orientar a acção ao longo dos tempos.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Zé Guita às 09:58
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim: ver "Zé Guita quem é"

.pesquisar

 

.Janeiro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

23
24
25
26
27
28

30
31


.posts recentes

. COMPETIÇÃO OU COOPERAÇÃO ...

. DESORGANIZAÇÃO E DESORDEM

. DIA DA INDEPENDÊNCIA NACI...

. A SOCIEDADE ESPECTÁCULO

. ECONOMICISMO, OPINIÕES E ...

. LEITURAS - 2ª Edição

. APROXIMAÇÃO À MATRIZ

. MAIS QUESTÕES CANDENTES

. LEITURAS!!!

. QUESTÕES CANDENTES

.arquivos

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

.tags

. todas as tags

.links

.Portal dos Sites

.publog

.Comunidade

Estou no Blog.com.pt
blogs SAPO

.subscrever feeds

RSSPosts

RSSComentários

RSSComentários do post