Sábado, 16 de Outubro de 2010

CRISES E SEGURANÇA

     O Estado português, na sua forma política que se pretende organizada como "sociedade perfeita", no caminho para a modernidade, encontra-se afectado pelas mudanças comunicacional, cultural e civilizacional caracteríticas da Terceira Vaga e da Globalização. Dada a natureza, velocidade e ritmo de tais processos, daqui resulta grande instabilidade, que frequentemente origina insegurança subjectiva e mesmo factual.

       Portugal tem vivido os seus quase novecentos anos de história com "mar ora calmo ora revolto", percorrendo caminhos com "altos e baixos", atravessando e resolvendo diversas crises, conseguindo vencer "adamastores" e "velhos do restelo".

      Actualmente, às mudanças universais e às crises financeira e económica internacionais, acrescem, de origem interna, fortes crises financeira, económica, social e política. Incerteza, instabilidade, exclusão social, pobreza, contestação, incivilidades, criminalidade, violência acontecem em espiral, ameaçando perigosamente a autoridade do Estado e a confiança nos seus órgãos; ocasionando uma subida nos graus de risco correspondentes a tais ameaças; e agravando o quadro geral de insegurança.

     Para garantir a indispensável coesão nacional é necessário batalhar em defesa dos Fins do Estado - Bem-estar, Justiça e Segurança - e exige manter a confiança dos cidadãos no exercício da Autoridade pelos órgãos do mesmo Estado. 

     Tal como "sem Liberdade não há Segurança", "sem Segurança não há Liberdade". O nível excessivo de Liberdade favorece a libertinagem e  anula a Segurança.

Sem Leis adequadas, a Justiça perde eficácia; sem Leis em que se basear e sem Justiça que as apoiem, as Polícias não têm autoridade.

     Numa conjuntura altamente crítica como a que se atravessa, chega a ser surrealista a movimentação de algumas tendências civilistas no sentido de desvalorizarem a natureza militar da GNR - corpo especial de tropas componente do modelo de dualidade policial -  procurando destruir a Guarda de Confiança que ainda é. 

     Neutralizar a Guarda de Confiança, que incomoda muita gente,  satisfaria alguns indivíduos e diversos grupos de interesses e  "ismos"; a propalada solução por um modelo policial monista corresponderia a uma transferência da vital autoridade do Estado para o poder factual de grupos corporativos, associações profissionais, sindicatos e outros.

     Na sociedade portuguesa não são automaticamente aplicáveis os modelos de polícia única que vigoram em sociedades muito diferentes. À partida, envolve  perigos e falecem argumentos economicistas e funcionais. A prudência mínima aconselha a evitar tanto o "fantasma de César" como o "fantasma de Fouché".    

 

 

 

 

 

 

 

   

  

publicado por Zé Guita às 09:05
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1 comentário:
De Paulo a 17 de Outubro de 2010 às 02:25
"Portugal tem vivido os seus quase novecentos anos de história com "mar ora calmo ora revolto", percorrendo caminhos com "altos e baixos", atravessando e resolvendo diversas crises, conseguindo vencer "adamastores" e "velhos do restelo"."

Os "adamastores" nunca por vencidos se conhecem. "Eles" andam, sempre, aí.
Não tarda e "eles" aparecerão....qual D. Sebastião...
Abraço



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