Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

CAMINHOS E SEGURANÇA

     Cavalgando as ondas revolucionárias da Terceira Vaga e da Globalização, que originam grande instabilidade; aproveitando as incertezas e  os problemas característicos das crises, que geram insegurança; tendências ligadas a ideologias diversas, interesses de vários grupos e algumas  ambições individuais aproveitam a oportunidade para impulsionar e atingir os seus próprios objectivos. Como tudo é altamente pressionado por tempos cada vez mais apertados, além do escasso amadurecimento, impera o oportunismo das soluções apresentadas para resolução das crises.

     Nesta conjuntura, aos defensores de "ismos", interesses, ambições, libertinagem e criminalidade, convém um Estado fraco, vulnerável aos jogos de poder sectoriais e umas forças e serviços de segurança carentes de autoridade e condicionáveis por estruturas civis.  

      A GNR, pelas suas características, entre as quais avulta a natureza militar, "incomoda muita gente", mas  continua a ser a Guarda de Confiança.

      Porém, exactamente por incomodar, constitui alvo preferencial de malquerenças, de competição, de manobras concorrenciais para desvio de valências, de  tentativas para desqualificar operacionalmente e anular em termos economicistas a Instituição "corpo militar de polícia" com mais de 200 anos, a Organização "GNR" com 100 anos, a Profissão "guarda" assente em valores tradicionais e modernização continuada, sólida, que luta pelo equilíbrio entre profissionais polivalentes e especialistas.

 

     Às hostilidades adversas podem ser somadas as carências e os apetites do "fantasma de César" - o poder policial absoluto, radical,  inábil e violento porque marginal, na posse  maioritária ou mesmo exclusiva de forças armadas - e do "fantasma de Fouché" -  o poder policial absoluto, radical, abusador e torcionário de uma polícia única, que pode arvorar-se em contrapoder - os quais concentram esforços numa janela de oportunidade para a procura de soluções  pretensamente salvadoras. Isto, na pior altura para uma sociedade altamente desestabilizada e com graus crescentes de insegurança, necessitando mais que nunca de ter ao seu serviço uma força pública de confiança, alheia a influências sectoriais e que garanta a autoridade do Estado

       É insano pensar que o Estado democrático pode perdurar sem umas Forças Armadas efectivamente empenhadas na Defesa  Nacional. Se têm que ser de pequena dimensão, parece racional que se concentrem na sua função essencial, não podendo dispersar formação e meios a distrair-se com tarefas policiais, que exigem total disponibilidade permanente e grande e complexa especialização.

      É perigoso concentrar as forças de Segurança Interna  numa polícia única de natureza civil: corresponderia a alienar para grupos de interesse da sociedade civil parte substancial do poder soberano, ficando o Estado  refem dos sindicatos de polícia. A funcionalidade exclusiva tenderia para propiciar abusos e poderia mesmo dar lugar à formação de um contrapoder. Seria complexo e dificilmente operacional atribuir a uma polícia única civil as missões e tarefas militares retiradas da GNR. 

 

 

     Revoluções e crises, já bastam as que estão em curso, agravadas por reestruturação errática e errónea. Corrigir, melhorar, optimizar a Guarda enquanto força de segurança, gendarmaria, Terceira Força, charneira entre as forças armadas e as polícias civis certamente que é mais fácil, mais rápido, mais económico, mais funcional, mais eficaz do que revolucionar o Sistema de Segurança Interna, optando precipitadamente por modelo oriundo de sociedades muito diferentes, cujos contornos são altamente duvidosos, que levaria pelo menos uma dezena de anos a estabilizar e cuja eficácia seria uma incógnita. 

     Num ambiente em desagregação, que alguns pretendem "quanto pior melhor", apresenta-se como necessário diligenciar e demonstrar que "hora a hora a Guarda melhora", conquistando confiança e alicerçando legitimidade para exercer autoridade.

    

    

 

 

 

 

 

 

 

 

       

publicado por Zé Guita às 12:06
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