Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Pirilampo 10

10. Relativamente aos oficiais, defendeu-se (quem?) que a sua formação deveria ter uma maior componente na vertente policial, não se perdendo de vista a matriz militar, nada obstando a que a formação fosse conjunta com os oficiais destinados à PSP, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, o qual deveria sair da alçada da Polícia de Segurança Pública, transitando para a esfera do MAI, sendo que para o efeito bastaria uma alteração da lei orgânica deste Ministério.

Desde já: consta ao Zé Guita que na sua reunião com o MAI a AOG se manifestou pela defesa, intransigente, da formação dos oficiais, ao longo da sua carreira, em estabelecimentos de ensino militar e em paridade com os das FA.

publicado por Zé Guita às 00:43
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13 comentários:
De Zé Guita a 12 de Fevereiro de 2007 às 01:29
Na minha opinião, formar os oficiais da Guarda ab inicio numa escola "civil" e conjuntamente com os oficiais de um corpo civil de polícia seria desmilitarizar fortemente a GNR, e condenà-la à extinção a prazo. Admissível já é que os cursos para oficial superior sejam parcialmente em conjunto.
Face à "febre" da desmilitarização, SALOMÃO certamente que decidiria cortar a meio: nem Academia do Exército, absorvente, nem Instituto civil, descaracterizante. A virtude estaria numa Academia própria da GNR, alma mater que poderia estabelecer além da formação investigação e doutrina próprias, tudo em estreito intercâmbio com as FA de um lado e com a polícia civil por outro lado. Claro que Salomão chamaria à Guarda a "terceira força".


De Guarda Abel a 12 de Fevereiro de 2007 às 10:22
Espero é que o Director dessa escola não seja um Oficial do Exército...
A propósito, e o modelo de formação que propus ? Acolhe ou há considerações ?


De Zé Guita a 12 de Fevereiro de 2007 às 11:50
Como pode ver, seria vantajoso que recolocasse o seu comentário sobre a formação de oficiais junto deste post.


De Guarda Abel a 12 de Fevereiro de 2007 às 13:45
Conforme sugestão do amigo Zé Guita, cá vai:

Novo modelo de formação dos Oficiais da GNR.

Referência (Real academia militar de Sandurst , julgo que os Oficiais Ingleses são tão bons com os nossos)

Recrutam-se licenciados em áreas com interesse para a Guarda.
Em seis messes dá-se a formação militar (sou daqueles que entendem que a formação básica militar deve ser um requisito prévio em qualquer polícia, mesmo aquelas que têm o rótulo de civil), com elevados padrões de exigência. Findo o período, a selecção natural et por couse dos que tem o perfil indicado é feita …
No segundo semestre, fornece-se o conteúdo teórico para as funções. (Acabe-se de vez com as armas e serviço, isso é cópia do Exército Português e actualmente é um anacronismo. Em RH fala-se de especialização de funções).
Fim do 1º Ano
O segundo ano seria o de Tirocínio, com formação no terreno (este estágio era eliminatório)
Após o segundo ano tínhamos Oficiais de elevada craveira técnica.
Por que não se pratica este modelo? A quem interessa o desperdício de dinheiros na formação da AM , com a gritante desigualdade (Aos cadetes, o Estado paga-lhes uma licenciatura e ainda lhes dá dinheiro. Os outros estudantes não têm este privilégio e pagam propinas se querem ser licenciados).
Que interesses obscuros e inconfessáveis estão por trás dos que teimam em licenciar em «ciências militares» (o que significa isto em termos de epistemologia?) os Oficiais da Guarda?
Salvaguarda de lugares Simbólicos e pertença a um grupo restrito?
Impor interditos e restrições aos não iniciados e assim justificar uma espécie de irmandade secreta?

Depois queixem-se da Accenture ”…

Guarda Abel



De jeremias, o fora da lei a 12 de Fevereiro de 2007 às 18:33
Para Guarda Abel

Estou tentado a concordar consigo!!!
Mas de cacordo com a sua proposta para se ser Alferes na Guarda seriam precisos seis/sete anos, certo? "Será que vale a pena gastar tanto vela com.....".
E a PAM, onde entra a PAM'? É fundamental uma PAM, como deve saber.


De Guarda Abel a 14 de Fevereiro de 2007 às 10:18
Senhor Jeremias,
O que eu pretendo explicar é precisamente o contrário do que julgo ter sido mal compreendido por si.
O curso de formação proposto seria tributário do modelo inglês, em que ao Oficial apenas lhe é fornecido formação técnico-profissional, uma vez que o recrutamento dos cadetes já se faz entre os possuidores de uma licenciatura.
Assim, atendendo à reforma de Bolonha, um jovem pode sair licenciado de uma Universidade com 21 ou 22 anos. Entra para o Curso de formação de Oficiais e é submetido a seis messes de prova de aptidão militar (a tal PAM a que se refere e que é necessária para ver se os candidatos estão aptos para integrarem os padrões deontológicos e a cultura organizacional) com carácter selectivo. Finda esta primeira etapa, o cadete inicia um segundo semestre em que lhe são fornecidos os conhecimentos teóricos para a função.
O 2º Ano é de formação em exercício de funções ou se lhe quiser chamar estágio probatório.
Concluindo, com 24 ou 25 anos temos Alferes.
Agora compare este modelo com o actual. Faça contas aos custos que o Estado suporta, veja vantagens e inconvenientes deste modelo com o nosso, nomeadamente as possibilidades de se recrutar à partida os licenciados nas áreas que a Guarda pretende ter e a custo zero! Repare que em Portugal, a taxa de desempregados entre os jovens licenciados é altíssima. Pretendentes não faltarão e rapidamente o problema de subalternos acabava, bem como o défice crónico de enquadramento do pessoal.
Em cinco anos o problema estava resolvido
Mas isto não deve ser do agrado dos Generais do EP…


De Someone a 15 de Fevereiro de 2007 às 21:46
Isto é para rir!!!!
Guarda abel, sugiro-lhe que se informe devidamente antes de tecer comentários desta índole.
O seu comentário torna-se quase ridículo aos olhos de qualquer pessoa que conheça esta realidade.
Procure no site da AM o programa curricular e outras informações acerca da licenciatura em ciências militares (actual mestrado em segurança). Pode ser que o ajude no esclarecimento...



De Guarda Abel a 16 de Fevereiro de 2007 às 11:06
Caro Senhor (a) Someone:
A sua defesa da AM é respeitável, possivelmente andou por lá e sente necessidade em defender a honra da sua Escola. É perfeitamente humano defendermos o que nos é caro em termos de valores. Pois bem, eu não ataquei a honra ou o mérito do ensino da AM nem quem por lá andou a tirar «Ciências militares» e com a reforma de Bolonha se quer transformar em Mestrado, portanto mantendo os 5 anos de formação (três do primeiro ciclo mais dois do segundo).
Antes de mais, a reforma de Bolonha será um presente envenenado para o sistema de ensino superior, porque os mestrados vão desvalorizar em termos de exigência e prestígio, ficando a valer o q era uma licenciatura. E uma licenciatura será uma espécie de Bacharelato. O mercado e a contenção de custos no ensino superior impôs as suas regras e o que interessa é dar títulos às pessoas e fazer de conta. (médicos, arquitectos, juízes, advogados e ao q parece os militares, todos querem ser mestres em cinco anos, já ninguém quer ser licenciado, questões de prestígio de classe…)
Caro amigo, contabilize os custos desta formação para o Estado e para a Guarda em particular.
Antes de atacar o Guarda Abel, usando o «Argumentum ad hominem» (Ataque ao argumentador i.e em vez de se provar a falsidade do enunciado, ataca a pessoa que fez o enunciado) faça um estudo simples de vantagens e inconvenientes do actual modelo em confronto com as alternativas possíveis. Porém, não caía na tentação, como fez no seu comentário, de utilizar o «Argumentum ad ignorantiam» (Argumento da Ignorância), ou seja dizendo que algo é considerado verdadeiro simplesmente porque não foi provado falso (ou provar que algo é falso por não ter provas de que seja verdade), utilizando o subterfúgio de falta de informação.
Finalmente, faça um pequeno exercício. Veja o que se passa noutros países, designadamente em Inglaterra.
O modelo é simples, parte da premissa lógica de que o Estado não tem de pagar formações universitárias a ninguém. Concorrem para os quadros de Oficiais aqueles q já as possuem.
As organizações, como todas as outras, dão formação técnico-profissional e são estes os custos a pagar pela formação de novos quadros e que deverão ser imputados à organização que faz o recrutamento.
O senhor (a) tem medo deste modelo? Ou teme perder algum privilégio adquirido, não pela mobilidade e reconhecimento da sua formação e pelo mérito absoluto, preconizado pela reforma de Bolonha, mas por rituais iniciáticos de origem?
Por que não é frontal. Diga, não tenha receio da crítica, diga ser necessário manter um quadro de formação que privilegie a vertente comportamental, de modo a permitir um apertado controlo da socialização e conformidade grupal, desde o final da adolescência até aos tenros anos de juventude, como igualmente impedir aqueles que não percorreram esse itinerário iniciático de serem considerados Oficiais de 1ª e aspirarem aos mais altos postos da carreira.
É aceitável alegar e confessar incondicional e emotiva adesão a este argumento. Já não é aceitável usá-lo com justificação para restringir ou impedir a mobilidade e ascensão na carreira a quem não pôde, nos verdes anos, frequentar a escola agora considerada como a casa mãe dos oficiais da GNR. Porque as castas e as aristocracias há muito que perderam sentido num mundo que valoriza o mérito individual e a mobilidade social.
A propósito, sendo a AM uma «universidade», porque não permite o reconhecimento de equivalências de outras formações superiores, à semelhança de todas as Universidades, possibilitando a frequência das cadeira que faltam aos candidatos possuidores de uma licenciatura mas que pretendem também ser Dr. em «Ciências militares»? Será por as «Ciências Militares» serem tão esotéricas?
Atentamente, Abel


De jeremias, o fora da lei a 12 de Fevereiro de 2007 às 10:46
Olá Zé Guita,
para quê tanto trabalho, para depois Sexas serem colocados ainda jovens , na Secretaria Geral da Presidência da República?
Qualquer curso profissional deveria servir para preparar tão ilustres figuras, para desempenharem funções "tão valorosas e gratificantes"!


De jeremias, o fora da lei a 12 de Fevereiro de 2007 às 10:48
Olá Zé Guita,
para quê tanto trabalho, para depois Sexas serem colocados ainda jovens , na Secretaria Geral da Presidência da República?
Qualquer curso profissional deveria servir para preparar tão ilustres figuras, para desempenharem funções "tão valorosas e gratificantes"!


De Agapito a 12 de Fevereiro de 2007 às 12:28
Porquê andar sempre atrelado ao exército? A gendarmerie francesa é autónoma. Escola própria embora com cursos com vertentes militar e policial. Ver como fazem os outros inclusive as PM brasileiras que me parecem ser também boas fontes de ideias. Foram criadas por nós mas suplantaram o mestre. Não é preciso inventar nada. Depois é adaptar à nossa realidade. Agapito


De jeremias, o fora da lei a 12 de Fevereiro de 2007 às 18:36
Olá Zé Guia,
já reparou que a Força Aérea, praticamente só forma de base Pilotos?
Todos os outros, já vêm formados das Universidades.


De Guarda Abel a 16 de Fevereiro de 2007 às 11:38
Para reflectir:
Factos:
Colien Powell, cidadão negro do EUA.
Colien Powell, Oficial do Exército tendo atingido o Generalato.
Colien Powell, foi Chefe do Estado-maior general das FA dos EUA.
Colien Powell, foi Secretário Estado da Defesa (Equivale ao nosso Ministro da Defesa)
Colien Powell, não Frequentou West Point (Escola de formação dos Oficiais dos EUA)
Inferência:
Portanto, Colien Powell era “miliciano”, não obstante foi General-Chefe e Ministro.
Pergunta-se: será possível tal acontecer em Portugal? Porquê?


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