Na vida do dia-a-dia são prioritárias as preocupações imediatas e dá-se pouco valor aos problemas menos prementes de carácter utópico. Uma vez que não se apresentam como imediatamente úteis, não são claramente assumidos e a utopia é vulgarmente entendida como sonho, algo de natureza quimérica e praticamente irrealizável.
Isto é compreensível no homem comum, mas quando se trata da busca e da produção do conhecimento já é outro o sentido da utopia.
A República, de Platão, a Cidade do Sol, de Campanella, a Nova Atlântida, de Bacon, o pensamento de Rousseau, as ideias iluministas e as teses dos socialistas utópicos são trabalhos respeitáveis do espírito humano. Neste mesmo sentido pode ser incluída A Utopia, de Tomás Morus, que pode ser vista como o sonho de um mundo ideal mas contém larga crítica social.
Erasmo de Roterdão, em 1509, discursou sobre “O Elogio da Loucura”, que há quem considere obra essencial e um dos mais influentes livros da civilização ocidental. Fica claro que não deve confundir-se insanidade com utopia, uma vez que esta pode ser saudável na sua deriva sonhadora.
Erasmo, admirador de Santo Agostinho, foi um crítico irreverente e sarcástico, tendo-se relacionado com Tomás Morus, o autor de "A Utopia", obra próxima do "Elogio Da Loucura”, e afirmou-se como um dos grandes humanistas do Renascimento.
Apoiado numa sólida visão filosófica, Erasmo denuncia as falsidades, as injustiças, a hipocrisia que vigora entre os humanos. Fazendo de o Elogio da Loucura uma crítica inteligente dirigida ao clero, aos nobres e aos sábios. A loucura de que trata é a da simplicidade, da pureza, da depuração, da pura religiosidade, da honestidade, configurando uma utopia que perdura até hoje. E que apontou como sendo o melhor presente dos deuses aos humanos, pois um louco fala a verdade inconveniente mas é tolerado. Erasmo tem a arte de incomodar ao defender a loucura, afirmando que todos os homens de algum modo são loucos. Induz uma reflexão sobre o real sentido da loucura na sociedade actual, lembrando que Foucault distingue os Loucos "de facto" dos loucos "controlados" ou "socializados", considerando abrangente esta última categoria.
Mal acabado de sair da adolescência, nos últimos anos da década de cinquenta, caiu-me nas mãos a edição Cosmos de “O Elogio da Loucura”, ilustrada com as gravuras da época impressas a madeira. Foi um deslumbramento, que deixou marcas que perduram até hoje. Tenho impressas a fogo na memória algumas ideias-força:
- Os loucos fazem rir as mulheres;
- É dos loucos que as mulheres gostam mais;
- Os loucos descobrem a aventuram-se por caminhos desconhecidos;
- Os loucos é que inventam as novidades;
- O mundo avança por iniciativa dos loucos!...
Tudo indica que a humanidade tem de encontrar caminhos para realizar a mudança de civilização em curso.
A Loucura é o motor da Utopia e esta desenvolve o Sonho!
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