Domingo, 27 de Dezembro de 2009

NATAL, CONFIANÇA E SEGURIDADE

 

 

 

     Natal é "nascimento" e é normal que  continuemos a desejar  "renascer".
     Nesta quadra,  perante a multifacetada e grave crise que ameaça a relação de confiança indispensável entre o "príncipe" detentor do poder e a sociedade civil, permitam que, sem negativismo, venha partilhar algumas inquietações no que respeita ao futuro colectivo.
 
 
1. Compreendo e aceito a integração de Portugal num grande espaço europeu, com cedência de algumas parcelas de soberania no âmbito político mas com cuidada reserva noutros e, sobretudo, defesa intransigente da identidade Nacional e de interesses vitais.
     Não posso aceitar e ofende gravemente a mim, cidadão eleitor contribuinte,  e à democracia que o "príncipe" detentor do Poder encerre a soberania de um Estado com quase 900 anos sem perguntar aos seus cidadãos o que pensam sobre o assunto!
 
 
2. Compreendo a existência de uma minoria de indivíduos homosexuais e ponho alguma tolerância (conceito discutível) na sua convivência, direito a contratualizar uniões  e protecção em sociedade desde que não queiram impor-se, negando a biologia e desagregando o tecido social.
    Não posso aceitar e ofende gravemente a mim, cidadão eleitor contribuinte, e à democracia que o "príncipe" detentor do Poder, à revelia de uso milienar da família como agregado biológico,  decida instituir o "casamento"  de homosexuais sem perguntar aos seus cidadãos o que pensam sobre o assunto.
 
3.  Comprendo e aceito a existência de Poder local, alargado e mais eficaz, mas não entendo poderes pretensamente regionais, altamente discutíveis num já de si pequeno Estado,  que me obrigariam a tolerar e a sustentar mais umas centenas de políticos "regionais".
     Não posso aceitar e ofende gravemente a mim, cidadão eleitor contribuinte, e à democracia que o "príncipe" detentor do Poder, num Estado próximo da falência económica e financeira, imperiosamente necessitado de reduzir a despesa pública, que já sustenta faustosamente demasiados políticos, que exige ao povo para apertar o cinto mas que mantém exemplos gritantes em contrário, intente uma regionalização do País sem querer saber o que  pensam os seus cidadãos sobre o assunto.
 
4. É bom lembrar que numa democracia a sério o "príncipe" exerce o Poder por delegação dos cidadãos. O "príncipe" deve ter em atenção o peso da abstenção na ida às urnas, que põe em dúvida a sua representatividade da população; e não pode ignorar a diferença entre legislar para a administração corrente e mexer com grandes mudanças culturais, sociais e políticas.
 
5.  A continuar assim e a não arrepiar caminho, é fácil vaticinar uma triste sequência em detrimento da democracia. E o pior cego é o que não quer ver.
     A degradação dos costumes, juntamente com a evolução demográfica negativa, com a  invasão do multiculturalismo  descontrolado, com o laxismo relativo aos comportamentos desviantes e a impunidade excessiva da criminalidade - além de outros factores críticos - têm vindo a  tornar latente forte desagregação social, tudo encaminhando para algo semelhante à "queda do Império Romano". 
 
     Esforço-me no sentido da  manutenção do  optimismo no ambiente e na acção social e recuso uma postura pessimista.  Mas, mergulhados que estamos na forte instabilidade de uma mudança civilizacional, acontece que à minha volta vejo múltiplos sinais que configuram ameaças  latentes ao Bem-estar, à Justiça e  à  Segurança, fins  últimos do Estado.  E inquieta-me que possa encontrar-se em perigo a Confiança dos cidadãos na condução dos assuntos da "cidade", com forte dano sobre a Seguridade individual e colectiva.   

 

sinto-me: inquieto
publicado por Zé Guita às 04:22
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7 comentários:
De Veritas a 4 de Janeiro de 2010 às 10:20
Caro Zé Guita,
Eu também não gosto do loby gay. Mas aceito-o numa postura de tolerância. Desde que não venha a ser obrigatório…
Quanto à família enquanto instituição, o que lhe parece a “família-instituição” da Grécia Clássica (Atenas)? As mulheres fechadas em casa sem direitos e com a obrigação de parirem filhos futuros cidadãos. Os homens a gozarem dos direitos de cidadão e das delícias da civilização e da Democracia ateniense. Quando não estavam na ágora a discutirem os assuntos da Res-publica, divertiam-se em festas particulares com os amigos (homens). Eram todos homossexuais, mas tinham de ter “família” (com mulher) para procriarem, embora não as quisessem ter de perto, preferiam os “amigos”. E no entanto tinham uma civilização brilhante da qual somos tributários.


De Zé Guita a 6 de Janeiro de 2010 às 03:04
Caro Veritas
Vertas, veritatis: Não se trata de gostar ou não gostar do lobi gay...
A minha inquietação é bem maior e centra-se na latente falta de confiança em relação ao "príncipe", que progressivamente enfraquece a seguridade política e social entre os cidadãos.
Saudações


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