O V Império e o primado do espírito em António Vieira
O padre António Vieira foi caracterizado e interpretado por Miguel Torga como “aluno de Bandarra e mestre de Fernando Pessoa, no Quinto Império que sonhou, sonhava o homem lusitano à medida do mundo.”
Como lembra Adriano Moreira, convém analisar a relação entre o manifesto político que Camões registou em Os Lusíadas, projectando Portugal para o futuro; e a visão do Quinto Império proposta por Vieira, com origem no sebastianismo, alimentando a esperança de redenção após o desaire nacional, como forma de legitimar o movimento independentista português.
A história da literatura portuguesa tem vindo a colocar em destaque a qualidade dos sermões e das cartas de Vieira e dando menos importância a outro tipo de textos, que podemos classificar como utopia de intervenção política e patriótica
Em 1659, Vieira escreveu uma carta ao bispo do Japão expondo a sua teoria do Quinto Império (depois de assírios, persas, gregos e romanos), segundo a qual Portugal estaria predestinado a ser a cabeça de um grande império do futuro. E deixou para a posteridade, com perduráveis reflexos, “A História do Futuro”, “Clavis Prophetarum”, “Esperanças de Portugal”, “Defesa do Livro Intitulado Quinto Império”… Fundamentado numa cultura vastíssima e multifacetada, tal como Savonarola, correndo perigos por falar do futuro, utilizou a via profética para apresentar uma nova visão do tempo e da história que viria a realizar-se com carácter universalista mas conduzida pelos portugueses, utilizando a sua espiritualidade tendente a conjugar o sonho e a realidade.
Esta visão do Quinto Império, por um lado, anunciava a futura fusão entre o humano e o divino, mostrando o caminho de harmonia entre os povos como forma de alcançar a paz e a felicidade universais, independentemente de origem, raça ou religião; por outro lado, originava um mito, constituindo um autêntico manifesto mobilizador em defesa da portugalidade que se tornava necessário recuperar da queda em Alcácer Quibir e da dominação filipina.
Vieira deixa clara a natureza deste Império, afastando a dúvida entre o temporal e o espiritual: “Assentado … que este Império de Cristo e dos Cristãos … é principalmente o da Terra e não o do Céu … perguntamos agora se há-de ser espiritual ou temporal … começando pela conclusão, diremos primeiramente que … é império espiritual. … Sendo pois estas as acções daquele Senhor a quem antes de vir ao Mundo todos os profetas chamaram Pai, e em seu nascimento foi aclamado Rei e em sua morte intitulado Rei; e sendo todas elas ordenadas só à salvação e perfeição dos homens e dirigidas e encaminhadas ao Céu, cujo reino lhes pregou e prometeu sempre, e estando até aquele tempo fechado, lho abriu e mereceu com seu sangue; que maior sentimento se pode desejar, nem que maior demonstração ou evidência de ser o Reino e Império deste santíssimo e soberaníssimo Rei, Reino e Império espiritual? Foi Reino e Império espiritual no fim e causas de sua instituição, espiritual nas leis, espiritual no governo, espiritual no uso, nas execuções e no exercício; e suposto que dizemos há-de ser sempre o mesmo (nem é decente nem seria crível outra cousa), em qualquer tempo futuro será e há-de ser também espiritual.” (História do Futuro, volume II, Livro II, Capítulo III)
Construção espiritual de Vieira, o sonho do Quinto Império representa um forte impulso para o renascer da esperança em Portugal.
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